15 de out de 2010

Adaptação: Alimentação



Sempre sou questionada por amigos e colegas sobre como se deu a adaptação aqui, e minha resposta é, da melhor maneira possível, sem dramas.

A primeira pergunta é fatalmente relacionada à alimentação, se mudou muito, se sinto falta de algum alimento, o que comemos normalmente, se aprendi receitas novas. Dizem que a comida francesa é sem tempero, sem gosto. Não achei a comida sem gosto, muito pelo contrário, eles não tem o hábito de entupir de vários temperos diferentes e sem nenhuma relação uns com os outros a comida.

O tempero básico deles: sal e pimenta do reino. Ninguém salga ao ponto de tirar o gosto da comida, muito menos usam quantidades insanas de pimenta, tempera-se na medida certa pra realçar o sabor. Dependendo do prato, usam cebola ou échalote, que é bem parecida com cebola, e fazem molhos com curry, páprica, alho, mostarda e mais uma infinidade de temperos, de acordo com o prato pra não virar um samba do criolo doido.

Comem-se muitos legumes, e eles gostam de privilegiar os legumes e frutas da estação, mesmo que durante o ano todo encontremos no mercado legumes e frutas que não necessariamente são típicos da estação atual. A diferença entre um legume ou fruta sasional e um que não seja é o sabor e o cheiro. Um hábito comum de se ver no mercado: cheirar o alimento. Se tem cheiro bom, tem gosto bom, se não tem cheiro, o gosto vai ser besta.

Não aprendi receitas específicas, mas aprendi a cozinhar um pouco melhor, sem tirar a cor e o sabor da comida. Tempero com o sal básico e deixo a liberdade de escolher o que mais se joga por cima da comida, às vezes tempero com curry, outras com tempero de Colombo, um misturado de cominho, curry e outras especiarias que combinam muito bem com picadinhos de peito de peru e carne.

Uma coisa me chocou um pouco no começo: o preço do peito de frango, às vezes mais caro que carne de boi, e que substituímos pelo peito de peru, mais suculento e mais barato. Como estamos do lado do Mediterrâneo, frutos do mar são sempre frescos, de vez em quando temos risotto de frutos do mar pra alegrar a mesa.

Não sentimos falta do feijão, em pouco mais de seis meses compramos dois quilos de feijão que duraram praticamente o tempo que estamos aqui, e na maioria das vezes preparava chili con carne ao invés da receita tradicional. Compramos feijão vermelho, que tem a fava bem grandona e que eu particularmente acho mais gostoso, mas gosto não se discute!

As sopas de legumes que fazia pro jantar durante a primavera deram lugar aos refogados de legumes no verão, mas agora no outono voltaram ao prato, e desta vez vão ganhar a abóbora como ingrediente sasional.

Comemos baguette, e o hábito de comer a pontinha dela quando ainda estamos no caminho entre a padaria e o carro, ou entre a padaria e a cestinha da bicicleta já ficou comum, impossível resistir à pontinha de uma baguette quentinha!

Toque de canela no crumble de maçã


Quanto aos doces, bom, são gostosos, mas como não são muito minha praia, não esperem que eu diga como são os eclairs (nunca comi um aqui). O gâteau preferido dos franceses é, ironicamente, inglês: o crumble, feito de farinha de trigo, manteiga e açúcar, podemos usar maçãs, frutas vermelhas, pêra e mais uma infinidade de frutas na preparação, sem falar que existe também a versão salgada, que nunca fiz. O primeiro (e único) crumble que fiz foi de frutas vermelhas, nem tirei foto, mas Bernardo fez um de maçã semana passada que mereceu foto e o chef tá de nota 10, ou melhor, pode receber 3 estrelas pelo doce (os chefs de restaurante aqui são estrelados pelo guia Michelin, e 3 é o número máximo de estrelas concedidas ao chef e ao restaurante)!

Crumble de maçã com geleia de cereja

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