14 de jan de 2011

Os Buscapé em Paris: a saga continua


Às sete da manhã fui acordada pelo despertador do celular, sem me lembrar bem ao certo onde estava. No dia anterior, passamos mais de 12 horas na rua, voltei pro hotel com minha mãe, cada uma foi pro seu quarto, encheu a banheira com água bem quente pra relaxar e abriu uma lata de cerveja. Os meninos estavam bebendo as suas na Champs de Mars, enquanto assistiam a torre Eiffel piscar. Levantei e tomei meu banho, e fui levar Luna pra dar sua voltinha matinal. O primeiro passeio do dia seria o Château de Versailles e ela ficaria no hotel durante a manhã porque, apesar de já ter visitado o palácio, eu não queria ficar esperando nos jardins enquanto o pessoal fazia o passeio, porque quando fui pela primeira vez alguns cômodos estavam fechados para restauração.

Tomamos café na estação de Lyon e fomos procurar o trem que nos leva ao château. Era pouco mais de 10 horas quando chegamos lá, e não estávamos sozinhos, mas a pequena multidão do inverno com certeza não chega aos pés da horda que invade Paris e arredores no verão. Ao contrário da véspera, fomos agraciados com um belo dia de sol e um céu inspiradoramente azul, o que me alegrou muito, já que minha primeira visita tinha tido um dia nublado como pano de fundo. Como aconteceu com a subida ao Arco do triunfo, eu era a única dos buscapé que já tinha visitado Versailles, e fiquei mais uma vez deslumbrada pela beleza e imponência do lugar.

Passamos uma bela manhã ensolarada em Versailles, almoçamos ali por perto mesmo e em seguida voltamos à Paris. Eu fui passar no hotel pra buscar Luna e o pessoal foi pra Notre Dame subir as torres, mais uma visita que somente eu tinha feito, e nos encontraríamos na frente da igreja mais tarde pra prosseguir nosso passeio. Cheguei ao hotel e encontrei uma Luna toda amarrotada de tanto dormir, acordei a pequena e fomos pra perto da Notre Dame. Chegando lá, fui fazer mais umas das visitas que deixei pra outras ocasiões nas minhas primeiras idas à cidade: a cripta arqueológica de Paris. Luna pode me acompanhar, contanto que eu não a tirasse de dentro de sua bolsinha, e acho que ela não se incomodou nem um pouco em ser carregada dentro da bolsa quentinha.

Ao entrar na cripta, somos transportados há dois mil anos atrás, à Lutécia, cidade galo-romana que deixou alguns vestígio na Paris atual. As escavações que foram realizadas entre 1965 e 1970 nos mostram como os romanos e os gauleses construiram suas casas e como ergueram muralhas pra proteger a cidade das invasões inimigas. Ali, embaixo pra praça da Notre Dame, Paris deixa de ser uma cidade cosmopolita e glamurosa e nos mostra sua face medieval, o início de sua construção e fortificação , e as ruínas despertam em cada um de nós diferentes reflexões...

Enquanto eu assistia ao documentário exibido na cripta e que relata as descobertas durante as escavações, pude ouvir uma agitação que tomava conta da praça em frente à catedral, mas não me preocupei e continuei ali até o fim do filme. Nesse meio tempo Bernardo me liga preocupado, perguntando onde eu estava, e eu disse que estava em baixo da igreja. Ele estava no alto da torre e podia ver o tumulto que tinha se instalado na praça, mas não entendeu que eu estava no debaixo desta, e não na praça em si, e me disse pra ficar longe da confusão, que eu ignorava completamente qual dimensão tinha porque estava embaixo dela. Falei que estava segura, que saíria em pouco tempo e encontraria com ele em frente à igreja.

Terminado o documentário, sai da cripta, que já estava sendo fechada, e entendi o que significavam os barulhos que tinha escutado enquanto estava lá embaixo: uma tropa de choque da polícia tinha feito uma barreira em frente ao Hôtel-Dieu, principal hospital de Paris que fica ao lado da Notre Dame, e uma pequena multidão se formou pra tentar entender o que acontecia. Enquanto isso, do outro lado do Sena, uma manifestação com luzes, fumaça e bandeira se dirigia à praça. Nesse meio tempo, nos encontramos e decidimos pra onde iríamos em seguida, de preferência pra algum lugar distante da confusão, que o pessoal tinha visto do alto da torre, e que não sei bem ao certo qual foi a causa. Nisso, minha mãe me mostra uma foto que tirou enquando eles chegavam na Notre Dame, de uma manifestação de fãs do Michael Jackson pedindo justiça pra ele... Mas ele não ta morto? Provaram que ele foi assassinado e não to sabendo? Coisas que vemos em Paris...

Decidimos seguir dali pra torre Eiffel e o pessoal tentaria subir, enquanto eu e Bernardo esperaríamos com Luna. Mas eles foram desencorajados pela fila e pelo fato de o topo estar fechado pra reformas, então partimos rumo à Champs Élysées pra tirar algumas fotos e em seguida fomos fotografar o Moulin Rouge. Na volta pro hotel, fizemos uma escala na Opéra Garnier pra mais fotos, e Bernardo e Guilherme seguiram pra Saint Michel, enquanto eu, minha mãe e meu irmão retornamos, exaustos, ao hotel. No dia seguinte não precisaríamos madrugar, nos restava a visita à Sacré-cœur e a subida na torre, mesmo que fosse até o segundo andar.  

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