9 de jan de 2012

Avignon

Minha primeira ida à Avignon aconteceu no verão de 2010 e por algum motivo desconhecido eu ainda não tinha escrito nada sobre a cidade dos papas aqui no blog. Pois bem, Avignon fica à cerca de 90 km de distância de Aix-en-Provence às margens do rio Rhône (ou Ródano, em português, pra ajudar quem é forte em geografia européia, o que não é meu caso) e é a cidade mais importante do departamento de Vaucluse.

O tempo de viagem de carro é de cerca de uma hora pela auto estrada e uma hora de vinte minutos pela estrada nacional, que tem limite de velocidade entre 90 e 110 km/h, mas vale ser feito por proporcionar um passeio pelas outras cidades pequenas ao longo do caminho. De trem o tempo pode variar de acordo com a estação de origem em Aix, sendo que o trem que sai do centro pode demorar 45 minutos ou mais pra chegar até a estação no centro de Avignon, enquanto o trem rápido que sai da estação TVG (que fica uns 18km do centro de Aix) faz o percurso em 18 minutos!! Já tive oportunidade de fazer o percurso dessas três formas, sendo que de trem foi durante a ida à Paris, e o trem passava por Avignon, mas não visitei a cidade nessa ocasião, só fiquei realmente surpresa com o tempo de viagem até lá.

O nome da cidade data dos anos 500 a.C. e tem dois significados possíveis: "cidade do vento violento" ou "senhor do rio". Acho que os dois são pertinentes, já que o Rhône é um rio importante da região provençal mas também é o corredor do mistral, o vento violento, frio e seco que desce dos Alpes e assola a região de tempos em tempos, e que por suas características contribue pra produção de vinhos Côte do Rhône e Châteauneuf-du-Pape, mas como eu não entendo de vinho, meu atrevimento para por aqui, e continuo a falar de Avignon e vou falar da cidade de Châteauneuf no próximo post.
  
Minhas impressões da cidade começaram tão logo deixamos a auto estrada e entramos atravessando as muralhas medievais que cercam o centro e que ainda são conservadas, inclusive tem os arcos onde ficavam as portas e pelos quais passamos pra chegar ao estacionamento, e aproveito a deixa pra dar a dica: se for de carro à Avignon durante épocas mais movimentadas prefira deixar o carro no estacionamento, economiza tempo procurando vagas nas ruas e poupa a preocupação de ter de voltar no carro pra renovar o tempo na vaga.


Uma vez na cidade dos papas, fomos visitar o palácio que abrigou o pontificado por alguns anos, iniciando em 1309 quando o papa Clemente V, fugindo da insegurança que então imperava em Roma, decidiu transferir o papado pra Avignon. O palácio foi ocupado pelos pontífices até 1414, mas de 1376 até aquele ano o papado foi retomado em Roma por Gregório XI, enquanto Avignon testemunhava a ascensão de Clemente VII, o primeiro dos dois anti-papas, como ficaram conhecidos os papas que se opuseram ao retorno à Roma.

O palácio abriga poucos detalhes originais do período do pontificado, como os azuleijos pintados à mão em motivos diversos de alguns cômodos onde não temos permissão de fotografar (o resto do lugar pode ser fotografado), além de paredes pintadas com motivos que remetem à fatos ocorridos na época e que servem de registro do cotidiano. Logo no ínicio da visita tem uma amostra da forma como as paredes eram revestidas de tecido como forma de proteção do frio e também como decoração. Durante muitos anos o palácio ficou negligenciado, tendo sido saqueado e servido de prisão, até ser restaurado e aberto ao público como um museu que vale à pena ser visitado!

Além do palácio um outro monumento imperdível é a ponte Saint-Bénézet que tem uma história interessante.  A primeira notícia que se tem de uma ponte no local remonta ao período romano, mas os vestígios não foram encontrados. Em 1177 Bénézet (ou Benedito de Avignon), um jovem pastor propõe ao bispo local a construção de uma ponte que fizesse a ligação entre as duas margens do Rhône, mas sua proposta foi vista com descrença pelo religioso, que mandou o jovem responder por suas ideias perante um juiz. Este, por sua vez, decidiu que se Bénézet conseguisse carregar uma enorme pedra que serviria para a construção da ponte até o local indicado ele seria então autorizado a dar prosseguimento ao seu projeto. Reza a lenda que o jovem conseguiu realizar o feito e foi então autorizado a construir a ponte, arrecando uma boa soma para arcar com o projeto, que contava também com a construção de uma igreja, um cemitério e um hospital. Em 1186 a ponte já era utilizada, mas o hospital teve seu edifício destruído em 1398 e foi transferido pras proximidades.

A ponte foi assolada por um ataque do rei Louis VIII em 1226 durante o estado de sítio imposto por suas tropas à cidade, mas foi reconstruída em um nível mais elevado que a anterior e ganhou uma nova capela, construída acima da primeira que resistiu ao ataque. Mas o Rhône corre impetuoso e sua força por vezes infligiu estragos importantes à ponte, que demandava reparações constantes mas que foram abandonadas à partir de 1668 e aos poucos o rio levou alguns dos arcos, deixando a configuração que podemos visitar atualmente. O corpo de Bénézet foi transferido da capela na ponte em 1674 e, apesar do título, ele nunca chegou a ser canonizado.


Mas Avignon tem mais à nos proporcionar além do palácio e da ponte, como outros onze museus, a igreja Notre Dame des Doms, ao lado do palácio, e durante o natal pudemos visitar a feira natalina que é organizada na praça de l'Horloge na frente do Hôtel de Ville (prefeitura). A cidade também é palco do maior festival de teatro do mundo, que acontece no verão, no mês de julho, além de  outras peças que são apresentadas ao longo do ano, inclusive no inverno, sem esquecer de uma rica programação de concertos e óperas.

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Com relação à hospedagem, como moramos perto não tivemos necessidade de nos hospedar na cidade, mas recomendo escolher um hotel que fique no centro histórico, relativamente perto do Palácio dos Papas pra dispensar a necessidade de carro por lá. Quanto aos restaurantes, a praça de l'Horloge tem muitos bem pra turistas, por isso acho que vale consultar o site do Michelin ou La Fourchette pra indicações de bons restaurantes autênticos. Fique atento ao horário, pois as cozinhas geralmente fecham às 15h, e depois desse horário somente as lanchonetes vão servir pra matar a fome.

Avignon fica à 13km de Châteauneuf-du-Pape, 31km de Orange, onde tem um anfiteatro romano (ainda não visitado) e 45km de Nîmes, onde também tem um anfiteatro romano onde fomos assistir uma reconstituição de jogos romanos com lutas de gladiadores, assunto pra outro post!

  

Um comentário:

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