20 de fev de 2012

Dossier do cão, ou como trazer um animal de estimação do Brasil pra Europa


Uma vez, conversando com uma amiga sobre a quantidade de documentos que tivemos de juntar pra constituir inúmeros dossiers pra diversas finalidades, eu disse à ela, quase como forma de consolo: "A vida é um dossier". Precisamos apresentar tantos papeis que comprovem nosso nascimento, casamento, escolaridade, nacionalidade que pode chegar a hora em que, na ausência de algum desses documentos, duvidaremos nós mesmos da nossa própria existência, já que o papel pra comprovar não cumpriu sua função. Sorte dos animais que não fazem este tipo de questionamento, mas nem por isso são dispensados das mesmas formalidades, às vezes um tanto exageradas, mas um tanto necessárias.

Antes de vir pra cá tive de fazer duas escolhas difíceis: a primeira foi escolher vir, a segunda, vir sem meus cachorros. Tenho um akita, Yoshi, e uma yorkshire, Luna, um cachorro grande e uma pequena. O grande não teria jeito, já tinha me convencido de que não teria como trazê-lo pra morar num apartamento pequeno, mas a pequena viria depois, quando tivéssemos escolhido onde morar, tendo certeza de que animais seriam aceitos. E a preparação pra viagem da Luna começou antes mesmo da preparação da minha mala pra mudança. 

O processo que vou descrever é pra exportação/importação de animal de companhia entre Brasil e França, mas no site do ministério da agricultura tem a explicação detalhada pra cada país. Tudo começou com a implantação do microchip, que foi feita na região do pescoço. Depois disso, e na mesma consulta, retirada de sangue pra fazer exame de sorologia anti-rábica, no Instituto Pasteur em São Paulo. Antes de levar o animal para fazer este exame, verifique se a vacina anti-rábica está em dia. Se falta um mês pra completar um ano de vacinação, não faça o exame, a contagem pode dar inferior à exigida, e foi o que aconteceu com a Luna. Tive de repetir o exame, que é caro, mas uma vez feito e a vacinação mantida em dia, não precisa ser repetido.

Depois da primeira etapa de implantação de microchip + exame de sorologia anti-rábica vem a parte que deve ser feita no máximo 10 dias antes da viagem: consulta veterinária pra emissão do atestado de saúde e consulta no ministério da agricultura do aeroporto de origem do voo (no caso da Luna, o ministério da agricultura do aeroporto Tancredo Neves). No site do ministério tem um modelo de atestado, mas o que deve constar são as informações do animal e proprietário, e uma declaração do veterinário afirmando que o animal foi examinado e encontra-se em boa saúde e está apto à viajar. Em posse desse atestado, do resultado do exame sorológico e da carteira de vacina do animal (onde consta também o número do microchip), é hora de ir ao aeroporto levar o animal pra ser visto pelo agente responsável (eles mesmos preferem marcar essa visita de dois a três dias antes do voo), que então vai emitir o Certificado Zoossanitário Internacional, (CZI) que é o documento que deve ser apresentado na fronteira atestando que o seu animal está transitando regularmente. 

Chegamos na França e não tivemos nenhum problema na fronteira, e quando fomos ao Brasil o procedimento foi bem parecido, e Luna agora é o único membro da família que possui um passaporte europeu: pra transitar na União Europeia, mesmo de carro, os animais devem ter um passaporte que contenha todas as suas informações, inclusive as datas das vacinas e das consultas veterinárias. Além do passaporte (que é obrigatório na França desde janeiro de 2012 e custou 6€) e por segurança também, registrei a Luna na Société Centrale Canine (preço do registro: 9,50€), e graças ao microchip ela pode ser encontrada caso resolva sumir por aí (o que espero não acontecer!).

Importante: escolhi companhias aéreas que aceitam transportar animais em cabine (por causa do tamanho e peso a Luna pode ir com a gente, mas deve ficar dentro da caixa de transporte durante todo o voo, e esta é colocada embaixo da poltrona à nossa frente), e a reserva do animal na cabine deve ser feita com o máximo de antecedência, porque existe um limite por voo. Animais grandes viajam no porão.



Un de ces jours je parlait à une copine à propos des nombreux documents qu'on doit rassembler pour constituer les également nombreux dossiers qui servent à des propos tout aussi variés et je lui ai dit en guise de consolation: "La vie est un dossier". On nous demande de tas de documents pour attester la naissance, le mariage, le niveau de scolarité, la nationalité qu'en cas d'absence d'un de ces documents on peut nous mêmes questionner notre propre existence étant donné que le bout de papier n'est pas là pour le faire. Pour les animaux ce genre de questionnement n'existe pas, néanmoins ils sont eux aussi soumis à des formalités qu'on croirait exagérés, mais toute à fait nécessaires.  

Avant de venir en France j'ai du prendre deux décisions assez difficiles: d'abord le choix de m'installer dans un autre pays, puis le choix de le faire sans mes chiens. J'ai un akita, Yoshi, et un yorkshire, Luna, un grand chien et une toute petite. Le grand malheureusement a dû rester, j'avait déjà fait le deuil de la séparation car lui faire changer un grand jardin dans une maison pour un tout petit appartement ne lui ferait pas de bien, mais pour la petite on avait l'intention de lui faire venir dès notre premier retour au Brésil quand on devrait être déjà bien installés. Et pour cela la préparation de son voyage avait commencé avant même que mes valises soient prêtes.

Les démarches qui suivent se référent à l'importation/exportation d'animaux de compagnie entre le Brésil et la France, plus précisément tout qu'il ma fallu faire au Brésil avant de faire venir mon chien en France. Ni la puce ni le tatouage n'étant pas obligatoire quand on est propriétaire d'un chien au Brésil il m'a fallu alors lui en faire implanter une, ensuite on lui a fait une prise de sang pour la sérologie antirabique, un examen fait par l'Institut Pasteur qui montre que le chien est bien protégé contre la rage. Cet examen ne doit être fait qu'une seule fois mais il faut bien que la vaccination soit à jour sinon la sérologie n'est plus valable et doit être refaite.

L'étape suivante consiste en amener l'animal chez le vétérinaire pour le bilan de santé (prix de la consultation: environ 40€) et le passeport qu'elle n'avait pas encore (prix du passeport: 6€) qui doivent ensuite être timbrés par la Direction des Services Vétérinaires du département, à Marseille. Contrairement à ce qu'on fait au Brésil, en France il faut présenter que les documents de l'animal, celui-ci n'étant pas obliger de nous faire compagnie. On a pas eu des problèmes à l'arrivé au Brésil ni pour le retour en France, mais il faut être attentif au choix de compagnies ariennes qui acceptent les animaux en cabine (seul les animaux de petite taille  peuvent voyager en cabine) et la réservation doit être faite en avance et toujours par téléphone! Bon voyage! 

12 comentários:

  1. Luninha tao chique, tao européia, né?

    ResponderExcluir
  2. Olá! Gostaria de saber um pouco mais sobre ter um cachorro na França. Estou me mudando para Bourdeaux em 2017 e pretendo levar meu cachorro. Já achei muitas informações sobre a documentação mas não encontro nada sobre a vida de um cão lá. São respeitados? Podem passear em qualquer lugar na rua? Tem lugares marcados na rua para eles fazerem xixi? É caro manter um cachorro na França? Agradeço desde já! E parabéns pelo blog!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Camila!
      Pode ficar tranquila pois cachorros são bem aceitos e respeitados aqui na França, podem passear por qualquer lugar com excessão de jardins e parques onde haja sinalização proibindo sua entrada mesmo com coleira, e em algumas cidades há lugares sinalizados pro xixi, e tem também lixeiras proprias pra jogar os saquinhos de cocô (não recolher é passível de multa, mas tem lugares que não há fiscalização e pode ser que haja cocô no chão, infelizmente).
      Não acho caro no geral manter cachorro aqui, depende se o animal tem alguma patologia que necessite acompanhamento frequente de veterinário, porque a consulta em si é mais cara que no médico generalista, por exemplo (39€ no vet e 23€ no médico).

      Excluir
  3. Boa noite embarco para Paris a passeio com minha pequena em Fevereiro de 2017, toda documentação já está pronta. Porém tenho uma dúvida. Como é feita a imagracao e como devo proceder. Poderia me explicar por gentileza?!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Joysa!
      Olha, nas vezes que entrei com ela na imigração aqui, ninguém nem percebeu ou perguntou nada sobre o cachorro, mas é bom ter em mãos toda a documentação exigida pra sair do Brasil, caso seja solicitada na imigração.

      Excluir
  4. Oi, Natalia,

    Vou levar meu Tom, um yorkshire, em maio de 2017 para uma viagem de um mês pela Provence. Estou lendo os seus posts e estamos muito animadas com a viagem que faremos com ele. Fiquei com duas dúvidas sobre onde tirar esse passaporte obrigatório na FR e também como fazer o registro dele na Société Centrale Canine. Você pode me passar mais explicações, por favor? Lambeijos na Luna!

    ResponderExcluir
  5. Olá eu tenho uma York e estou indo de férias para o Brasil com ela, e nos documento eles pedem um veterinário oficial. Onde encontro um ou o veterinário normal dela pode assinar o CZI.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ei Mariana!
      Em 2011 levamos a Luna ao Brasil e na época precisei fazer um exame clínico dela no nosso veterinário, que carimbou o laudo no passaporte na parte de viagens, e depois levei o passaporte ao serviço veterinário do departamento (que aqui fica em Marseille na duana).

      Excluir
  6. Olá
    Tenho um pug com mais de 10kilos e gostaria de levar para a Franca no fim de 2017. Li restrições com está raça por conta da respiração. Será que consigo leva lo?
    Ass Ju

    ResponderExcluir

Tem dúvidas, sugestões ou informações complementares? Este é seu espaço! Sua dúvida pode ser a de outros, e suas sugestões certamente ajudarão outros leitores!
Comentários sem relação ao post, links de propaganda ou conteúdo ofensivos não serão publicados.