6 de set de 2013

Projeto #52livros, livro 1 : Tristes trópicos


Português/Français
Há 10 anos, quando eu ainda estava no primeiro ano de faculdade de psicologia no Brasil, o professor de antropologia nos indicou o livro de Lévi-Strauss como referência pra suas aulas. Na época, li alguns capítulos que ele havia selecionado, e os recitos do então jovem etnólogo me fascinaram. Uma vez terminados os estudos no Brasil, e em seguida aqui na França, me disse que era tempo de ler a obra em sua integralidade. E minha fascinação pelo relato só fez aumentar, pois Lévi-Strauss não só transmete, através de sua narrativa, suas dificuldades como etnólogo iniciante, mas também seu encantamento a cada descoberta, a cada nova expedição. Entre os encontros com tribos no Brasil ou na Papua-Nova-Guiné, ele descreve com uma minuciosa riqueza de detalhes os elementos da paisagem, os sabores, os perfumes e tudo que ele pensa ser pertinente acrescentar à sua narrativa e que possa transportar o leitor consigo em suas viagens.


Me senti transportada à região central do Brasil, que ainda não conheço. Descobri outros aspectos a serem ponderados quando nos lançamos numa análise para tentar compreender a maneira como se deu a ocupação territorial dessa região do país, e um desses aspectos diz respeito à presença de populações indígenas que, infelizmente, padeceram nesse momento ou sofreram uma drástica redução populacional, e isto por causa de uma busca incessante e despudorada pela dita "modernidade". A coabitação cultural parecia não ser possível; assim, era uma cultura que deveria prevalecer em detrimento de outra. Ainda assim, essa operação deixou resultados e a cultura dita dominante acabou por incoporar aspectos da cultura dominada, mesmo que acidentalmente.

Não somos os mesmos, quando partimos numa viagem, a regressar dela, e também não somos a mesma pessoa, ao fim dessa leitura, que aquela que abriu o livro.


Projet #52livres, livre 1 : Tristes tropiques


Il y a dix ans, lorsque j'étais étudiante en première année de psycho à la fac au Brésil, et le prof d'anthropologie nous avait indiqué ce beau livre de Lévi-Strauss pour démarrer son enseignement. A l'époque, j'avais lu quelques extraits qu'il avait sélectionné pour ses cours, et les récits du alors jeune ethnologue m'avais fasciné. Une fois mon diplôme réussi au Brésil, puis après en France, je me suis dit qu'il était temps de lire l'ouvrage dans son intégralité. Et ma fascination pour le récit n'a fait qu'augmenter, car Lévi-Strauss non seulement transmet à travers sa plume ses difficultés en débutant dans le métier, mais aussi son émerveillement à chaque découverte, à chaque expédition. Entre les rencontres avec une tribu au Brésil ou en Papouasie-Nouvelle-Guinée, il décrit avec une incroyable richesse de détails les éléments du paysage, les saveurs, les parfums et tous ce qu'il trouve pertinent d'ajouter pour transporter le lecteur dans ses voyages.

Je me suis senti transporté à la région centrale du Brésil que je connais pas, et pourtant c'est bien mon pays d'origine. J'ai découvert d'autres aspects à prendre compte lorsqu'on veut comprendre la façon dont s'est passé l'occupation du territoire brésilien, et un de ces aspects c'est la présence des peuples indigènes qui, malheureusement, sont plus la plus part disparus ou ont vu leur population diminuer au fil des années, et ce à cause d'une quête sans cesse et sans pudeur pour la dite "modernité". La cohabitation culturelle ne semblait pas envisageable, alors on écrasait une culturel en introduisant comme que par forceps celle dite dominante. Pourtant, aucune n'est sortie indemne de ces parfois tristes rencontres : chacune a pu passer à l'autre son empreinte, à son insu. 

On ne revient jamais la même personne lorsqu'on part en voyage, et on est pas, à la fin de cette lecture, la même personne qui a ouvert le livre.

5 comentários:

  1. muito legal. Gostei dos seus comentários acerca do livro. eu leria. :) Mas um por semana, como é o projeto me deixou ansiosa rsrsr, não conseguiria, talvez. Depende da grossura do livro e do interesse também. Quandoo livro é bom leio em três dias ou menos, dependendo da minha disponibilidade de tempo em ler! Mas aprendi a não deixar de dormir mesmo com muita vontade, pois acabo precisando dessas horas de sono no dia seguinte no trabalho...

    Este ano já li 18 livros até agora além de estar no meu projeto pessoal de tentar ler a Biblia toda (nao em um ano mas pla primeira vez realmente ler tudo.. pois sempre leio pra la e pra ca...ja terminei o novo testamento, faz temp rsrsrs ate tenho que reler rs, mas ainda to em 2 Samuel no VT, mas essa eu to indo devagar degustando..)
    e há outros já em andamento, os que achei legal, mas nao tao interessantes e por isso nao consegui termina-los ainda.

    Estarei sempre lendo o que vc escrever sobre livros, gosto muito.

    beijos

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    1. Melissa, por enquanto estou com bastante tempo livre, então acho que vou conseguir cumprir a meta! Mas em outubro as coisas mudam, por isso reservei os livros mais densos pra ler no inicio, deixando os mais curtinhos pra ler mais pra frente!

      Tenho vontade de fazer uma leitura comparada dos textos sagrados de grandes religiões, mas vou procurar obras especializadas porque ler cada um dos textos vai me exigir uma vida!

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    2. olá!! entendo. Dai aproveite então. vc treina o frances e ainda le! :) Demais!

      Quanto aos textos sagrados, Comece pelo novo testamento, indico..por ser mais facil. mas depois que vc vai lendo o velho.. e incrivel como tem historias interessantes e como explica varias coisas do novo. é bem legal. Super indico. :) Se quiser dicas, pode falar.

      beijao!! e otimas leituras!!

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  2. Minha edição é a mesma que a sua. Estudo literatura de viagem e acabei chegando aos Tristes Tropiques: nunca mais saí dele! Apesar da melancolia do livro, tristeza mesmo, é de uma beleza que dói!
    Abraço
    Amilcar

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    1. Realmente, a beleza do relato é triste, mas acho uma leitura essencial quando o assunto é viagens, principalmente se queremos ir além e conhecer a alma dos povos!

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