25 de fev de 2014

Clichês de um fim de semana com família em Lyon

Até Luna entrou na foto, ela ta no alto da perninha da letra N

Na nossa primeira ida à Lyon, quando estávamos jantando no bouchon "La mère Jean", recomendado por um amigo, tivemos a mesma ideia, no minuto que terminamos as entradas do nosso jantar: teríamos que incluir uma escapada à Lyon com nossos pais, que vieram passar o natal e ano novo conosco. Sabíamos também que o restaurante em questão estaria fechado bem na época que planejamos a viagem, entre o Natal e o ano novo, mas bons bouchons não estão em falta em Lyon, e tínhamos certeza de que não passaríamos fome. E que a chuva poderia ser um inconveniente aos nossos passeios, somada ao frio de dezembro, mas ainda assim achamos que valeria à pena levá-los para conhecer a cidade.


A Mirelle tem um roteiro bem legal de Lyon, e me inspirei nele pra pensar nos nossos passeios e adaptando em função de tempo e interesses, tendo em mente que a ideia era flanar. Debaixo de chuva, quase nadamos, mas aproveitamos bem nosso passeio, que começou na tarde da sexta feira, quando chegamos na cidade, sabendo que a previsão do tempo seria um tanto desfavorável pros dois dias seguintes. Assim, chegamos direto no Parc de la Tête d'Or, um lugar que ganhou meu coração quando visitamos a cidade pela primeira vez. Como eu disse neste post, minha prioridade na visita à cidade era correr pela cidade, às margens dos rios Rhône e Saône, mas também no parque - além de aproveitar pra tirar a barriga da miséria apreciar a boa cozinha dos bouchons. Mas essa era minha prioridade, o que seria motivo suficiente pra eu voltar à cidade, sozinha ou acompanhada. Mas desta vez fui acompanhada pela mãe, sogros, marido e cachorro a tiracolo. E quer programa melhor que um passeio em família no parque?

Quando atravessei os portões do parque pela primeira vez, juro que me imaginei morando em Lyon, fazendo um desvio no caminho do trabalho pra casa no fim do dia pra dar uma volta por ali e relaxar. Me imaginei correndo, fazendo pique-nique, lendo e tomando sol. Um parque como o Tête d'Or, no coração da cidade, é o tipo de lugar que podemos considerar como ninho de paz no meio da turbulência cotidiana. Lyon passou a ser a única cidade maior que Aix pra onde me mudaria, sentimento que Paris não despertou em mim. Gosto muito da capital, amo mesmo, mas não consigo me imaginar morando lá, enquanto em Lyon bastou entrar no parque pra eu sonhar acordada. Talvez tenha sido a serenidade dos patinhos no lago, ou a displicência das renas pastando, ou ainda o panda vermelho comendo seu bambu como se ninguém o assistisse. Ou o tronco de árvore diferente no caminho, a promessa de uma privamera florida feita pelo roseiral despido de suas flores, a grama verde contradizendo o frio que insistia em nos lembrar que ainda era inverno.










Lyon, cidade das luzes

Depois de devidamente instalados no hotel e de um tempinho de descanso, fomos percorrer as ruas do centro da cidade, sem pressa porque o objetivo era descobrir a cidade e redescobrir os cantinhos que no escaparam quando fomos à cidade dias antes pra Festa das Luzes. Andar pelas ruas de Lyon à noite é deixar-se levar pela magia das luzes da cidade dos irmãos Lumière. Aliás, luzes não faltam em Lyon, e ainda fomos presenteados com a iluminação de natal que enfeitou a cidade, que brilha à noite mesmo fora do período natalino, visto o cuidado dispensado à valorizar as fachadas dos edifícios da cidade com luzes minuciosamente escolhidas. O resultado pode ser apreciado toda noite, de preferência às margens dos rios, que compõem uma paisagem ainda mais encantadora, daquelas paisagens em que podemos facilmente ver um casal de namorados passeando de mãos dadas e sussurando delicadezas.








Charmosa das margens dos rios ao alto da colina, com vista pro Mont Blanc

Algo que sempre me emociona são as montanhas. Deve ser o DNA mineiro falando alto e procurando o conforto do relevo na paisagem circundante. De qualquer forma, basta ter montanhas nos arredores pra garantir que vou gostar do lugar. E nesse aspecto, Lyon é imbatível. Quando sai pra minha primeira corridinha pela cidade, no sábado de manhã, fui correndo ao longo do Rhône, atravessei uma ponte e comecei a subir uma colina. Sem mesmo ter planejado percurso, fui seguindo as ruazinhas que me conduziram a um plateau. Quando me viro, deparo-me com os Alpes, branco e imponentes, e pra completar o quadro, o Mont Blanc se exibia, gracioso. Juro que não foi a corrida morro acima que me fez perder o fôlego, mas a paisagem que eu contemplei, banhada pelos primeiros raios de sol. Foi graças à essa corridinha que defini o roteiro do nosso passeio, seguindo os traços da Lugdunum gaulesa e seu teatro romano com vista pra nada menos que os Alpes, e ainda tivemos sorte por ter uma certa visibilidade, mesmo com o dia nublado, pois assim conseguimos ver também o Mont Blanc. 

Das ruínas até a igreja de Notre-Dame de Fourvière foi um pulo. Tanto que deixamos o carro ali mesmo, na entrada nas ruínas, e fomos lutando bravamente contra o vento até chegarmos na igreja. Vento este, diga-se de passagem, que acredito ser o precursor do mistral: vinha dos Alpes descendo pelo Ródano, gelado. Mas mistral só ganha esse nome depois de passar pelo Massif Central, um pouco ao sul de Lyon. Mas voltando à igreja: vale a visita, e muito. Tanto pelo aspecto arquitetural do edifício, como pela vista da cidade, tão bonita quanto a que podemos apreciar do alto das ruínas. E depois de vermos Lyon lá do alto da colina, fomos percorrer o restante do trajeto que eu tinha feito correndo horas antes: as margens da Saône, os muros pintados em trompe l'oeil e os traboules de Vieux Lyon, terminando o passeio na Tour Rose.

Uma festa cheia de luzes me levou a Lyon pela primeira vez. A boa comida e a vontade de correr às margens dos rios da cidade e pelo parque me fizeram voltar. E outros itens que ficaram pendentes na lista já garantem pelo menos duas escapulidas de fim de semana na cidade. E você, qual desculpa vai te levar pra descobrir a cidade de ilustres franceses como os irmãos Lumière, Antoine de Saint-Exupéry e Allan Kardec?

Ruínas galo-romanas






Notre-Dame de Fourvière

Uma fachada inteira em trompe l'oeil

Irmãos Lumière


Margens da Saône (e da-lhe chuva!) e Vieux Lyon

La Tour Rose
Place des Terreaux e Prefeitura

5 comentários:

  1. Até agora a chuva (ou tempo feio) nunca me impediu de aproveitar uma visita, assim como pelo jeito vocês aproveitaram bastante a escapada em Lyon!!! :)

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    1. Milena, o unico inconveniente foi não termos levado guarda-chuva pra todos, acabamos pagando caro nos extras! Fora isso, valeu à pena!

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  2. obrigada por citar o meu post, natalia. (me lembrei dque estou devendo a parte 2 até hoje, ops!).

    lyon é mesmo a melhor cidade da frança pra se morar. meu coração se despedaça quando cogito sair daqui....

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    1. Adoro Aix, é do tamanho ideal pra mim, mas se me perguntassem se voltaria pra uma cidade grande, unica opção possivel na minha lista seria Lyon!

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