19 de out de 2014

Souvenirs de viagem


Uma lembrança de viagem é geralmente um objeto comprado no destino visitado, e que reuna características que nos fazem pensar imediatamente nas experiências vividas no lugar, nos cheiros e sabores apreciados durante a estadia, algo que represente aqueles instantes especiais e que nos transporte, de alguma forma, aquele momento específico no tempo, que nos marcou profundamente. Lembro-me bem que, na ocasião da minha primeira viagem à Europa, que foi também minha primeira viagem ao exterior, em 2004, criei um fotolog, no qual compartilhava com minha família, amigos e colegas de faculdade algumas imagens que registrava ao longo das seis semanas passadas viajando pela Suíça. A cada novo destino visitado eu queria, obviamente, trazer uma lembrança pra presentear alguém, e quando cheguei em Paris sucumbi ao apelo das miniaturas de Torre Eiffel vendidas a um preço módico, e levei comigo pra casa. Uma delas eu dei pra minha avó, que tratou de colocar junto com seus próprios souvenirs de viagem.

Eu mesma não tenho nenhuma Torre Eiffel enfeitando minha casa, mesmo depois de quase cinco anos morando na terra da dama de ferro (como os franceses se referem ao seu mais famoso monumento). Minhas lembranças dessa viagem ganharam outra forma : as palavras escritas no fotolog, hoje perdido por culpa da minha negligência em alimentá-lo depois da viagem, e as fotos tiradas com minha primeira câmera digital. Lembro que minha avó se queixava dessa novidade, dizendo que não era a mesma coisa a fotografia daquele jeito, que a gente não podia ver sempre que queria, por depender de alguém que, contrariamente a ela, tinha acesso ao computador. « Gosto é de pegar a foto de papel », ela dizia. Na época, eu ficava louca, porque a foto ficava cheia de impressões digitais. Mas era isso que estampava o sorriso em seu rosto. Tocar a foto era como que estar no lugar registrado, como se ela pudesse vivenciar aquele momento eternizado num clique. Quando cheguei da tal viagem, fiz uma seleção das melhores imagens e imprimi algumas, que decoravam meu quarto.


Ao nos mudarmos pra cá, comecei uma coleção de imãs de geladeira – que ficam num quadro magnético, porque no apartamento antigo a nossa geladeira era um frigobar. A cada novo destino visitado, procuramos o respectivo imã. Por vezes, negligencio a procura, em outros lugares opto pelo imã do país ao invés das cidades visitadas, seja por esquecimento, seja por praticidade. E, uma vez por ano, seleciono os cliques mais marcantes de cada mês e mando imprimir um livro fotográfico – mas destinos especiais merecem um livro inteiro, como fiz com as fotos da viagem à Córsega. Ainda não terminei o livro de 2013-2014, e sempre espero promoções pra mandar imprimir, então pressa não é necessariamente bem vinda nesse caso.

Assim, meus melhores souvenirs de viagem são simples, e ocupam pouco espaço, mas dizem muito dos dias vividos em cada destino, das atrações visitadas, das experiências e encontros feitos. Algumas fotos acabam ganhando destaque nas paredes aqui de casa, e duas delas tem história especial. Desde que chegamos, participo do concurso de fotografia organizado pelo comitê de esportes e lazer da empresa onde Bernardo trabalha, e cada ano envio cinco fotos que correspondem ao tempo imposto. Já foram cinco participações, com boas surpresas nas notas de fotos que não me agradaram particularmente, e três fotos, em dois anos distintos, foram selecionadas entre as dez premiadas.

A primeira foto premiada foi feita na minha primeira visita à Veneza, no inverno de 2011 quando meus sogros vieram nos visitar. Aproveitamos a ocasião pra visitarmos a família nos arredores da Sereníssima, e no dia do nosso passeio pela cidade a laguna estava delicadamente coberta por uma névoa, que deu um charme etéreo à paisagem. Enquanto passeávamos pelos canais, um deles me chamou muito atenção, justamente por conta da névoa ao fundo e do seu estado quase deserto, não fosse por um trio de transeuntes que conferiu um pouco de personalidade ao momento. Enquandrei observando as linhas que guiam o olhar até o meu ponto de interesse, a névoa sobre as árvores sem folhas, e registrei a imagem que queria. Quando o tema do concurso foi anunciado, « A cidade », escolhi o registro de Veneza, que mandei colorido pro concurso em questão, e preto e branco em outro concurso. Dias depois recebo o email dizendo que minha foto fazia parte de uma das dez premiadas pelo júri, e no dia da entrega descubro que meu clique em Veneza me valeu o terceiro lugar na competição. Como tinha impresso a foto em preto e branco pro outro concurso, foi dessa forma que ela ganhou destaque na parede aqui de casa – e também na casa da minha madrinha, que é fotógrafa, deixando esta afilhada bem lisonjeada.

As duas fotos mais recentemente premiadas foram feitas durante nossa viagem de férias em agosto, já pensando no tema do concurso deste ano, que foi « O humano nos meios de transporte ». Sempre que escolho as fotos, minha pretensão é mínima, fico mesmo é ansiosa pelas notas do júri, mas este ano uma das fotos que enviei me agradou particularmente, e mesmo antes de conhecer o resultado do concurso, já tinha me decidido a integrá-la na decoração da casa. Pra combinar com a foto de Veneza, alterei do colorido pro preto e branco, e o efeito me agradou bastante. Mas, antes mesmo de salvar a foto no pendrive e ir pra loja de fotografia, aprendo que foi a tal foto que foi premiada. E desta vez, ficou em segundo lugar, e foi feita no país que ocupava o topo da minha lista de destinos de viagem : a Rússia. Um destino especial, que tanto me encantou, e me deu uma das melhores recordações de viagem.

A outra foto foi feita em Oslo, quando visitamos o museu a céu aberto, mas esta ainda não virou quadrinho aqui em casa. Dei a vez aos belos azulejos do Porto, que tanto me encantaram quando visitamos a cidade no mês de maio deste ano. Era tanta foto de azulejo, e tanta vontade de tê-los enfeitando minhas paredes, que não tive dúvidas quando escolhi três dessas fotos pra ocupar o porta-retratos que estava há tempos vazio. E outras fotos também saem do computador e ganham o papel, como os barquinhos de pescadores em Vila Velha, tirada durante minha última visita à cidade, em dezembro de 2012, ou ainda o campo de girassois no caminho pra Gorges do Verdon, clicado por Bernardo quando recebemos um casal de amigos queridos aqui, em julho de 2013. Quando olho pra cada uma dessas fotos, sinto que volto ao exato momento em que foram tiradas, quase a mesma sensação que minha avó deveria sentir quando segurava a fotografia de papel. Ela bem que tinha razão : nada substitui a sensação de tocar a foto. É como se ela nos tocasse de volta.


2 comentários:

  1. Muito legal a sua idéia das fotos!
    Apesar de termos muitas fotos, acabamos trazendo outras "lembranças" mais materiais. Meu marido coleciona pinturas e ele vai atras das pinturas tipicas de alguns paises que visitamos (não exatamente o tipo de pintura que se vende aos turistas). Compramos 3 aquarelas na Russia que quase nos confiscaram quando voltamos pela Suiça, uma pequena escultura no Egito que a policia turistica nos levou para interrogatorio (eles nem se importaram com as outras bem "turisticas" que era para presente), roupa de cama em seda na China e por ai vai... Eu não sou tanto de "comprar", mas meu marido fica todo feliz quando traz para casa um objeto que nos parece unico.
    Um dos meus maiores prazeres é toda a comida "diferente" que eu provo por ai... Infelizmente não faz muito bem para a linha!

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  2. Olá! Realmente , as lembranças trazidas dos lugares que visitamos parecem ser uma parte deles que vem conosco. Eu costumo trazer dedais, porque gosto de costurar, e meu marido traz copinhos de shot. Até precisamos organizar os diversos nas prateleiras de um armário tipo vitrine que temos na cozinha. Já temos duas para a Europa, duas para EUA e Canadá, uma para o Caribe e duas para América do Sul. Acho legal colecionar coisas que tenham afinidade com nossos hobbies ou prazeres. Aliás, adorei a ideia do álbum anual! Parabéns pelo Blog!

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