8 de set de 2013

Córsega, rumo ilha da beleza

Córsega


Português/Français

A viagem começou bem antes do embarque, ou da preparação da bagagem, ou mesmo da compra dos bilhetes de navio. Na verdade, a viagem começou como resolução de ano novo, dessas que fazemos mentalmente, pra nós mesmos, tão logo os primeiros segundos do novo ano começam a correr. A tal resolução, feita em meio a brindes e votos de sucesso e realizações, somado a abraços calorosos concedidos aos familiares em terras tropicais, era simples expressão de um desejo de longa data : conhecer melhor o país onde moramos, no nosso caso, a França. E assim, disse a mim mesma que o principal destino a desbravar no ano de 2013 nessa terra dos queijos fedorentos seria uma pequena ilha. Pode parecer ironia escolher um destino fora do continente como principal destino de viagem. A ilha em questão é conhecida pelo carinhoso e merecido apelido de ilha da beleza. Córsega, vizinha da Sardenha, com sua forma que lembra o perfil do rosto de um homem. Voilà, votos feitos, abraços distribuídos e recebidos, brindes igualmente. Dias depois dessa celebração anual de mudança de calendário, voltávamos pro nosso cantinho no inverno da Provença, que foi rigoroso e longo, diga-se de passagem. E como de praxe, em se tratando de muitas resoluções de ano novo, esta caiu no esquecimento, ainda que temporário.



Até um certo dia quando, conversando com minha grande amiga Cinthia, ela faz o seguinte convite : “Vamos pra Córsega ? Temos onde ficar.” No exato momento em que a declaração sobre hospedagem em casa foi feita, já me imaginei estendida na areia branca da ilha da beleza. Viajar em pleno verão, e sem preocupação com busca acirrada de opções em alta temporada, sem falar nos preços elevados que encontramos em destinações concorridas na estação, era um sonho. Eu precisava de alguns minutos pra processar a proposta, que foi feita enquanto ainda estava cursando o mestrado, praticamente na reta final, mas com muito receio de ter que passar o verão revisando monografia, caso a defesa não se passasse conforme o esperado. Este post não estaria sendo escrito não fosse pelo convite, mas também pelo apoio que o Bernardo deu, dizendo que sim, iríamos à Córsega, e que eu deveria providenciar logo nosso bilhetes, pois minha defesa se passaria bem. Comprados na véspera da defesa, acho que me trouxeram sorte.


Dois meses depois da data da reserva dos bilhetes de navio, foi numa tarde chuvosa que chegamos ao porto de Nice, onde o Méditerranée nos esperava pro embarque. Só havia sentido igual emoção em se tratando de viagens quando, há quase 9 anos, me vi aos pés da Torre Eiffel, realizando um sonho antigo, numa viagem que me levou pra fora do Brasil pela primeira vez e quando conheci a cidade que ocupava o topo da minha lista de destinos pra conhecer nesta vida. O embarque foi rápido, estacionamos o carro na parte do navio reservada pra esse fim, e logo procuramos a cabine onde nossos amigos se alojariam durante a travessia. Escolhemos poltronas ao invés das cabines, mas nem chegamos a entrar no salão onde elas ficam, apenas deixamos nossos pertences na cabine dos amigos, subimos com o piquenique pro deck e lá ficamos durante praticamente todo o percurso até Bastia, que durou 7 horas (houve um atraso de 1 hora que não entendemos muito bem).



A visão do porto se distanciando, Nice ficando pra trás, o sol se esforçando pra iluminar a Promenade des Anglais e alegrar os banhistas, o azul do mediterrâneo que conferiu fama mundial ao litoral da cidade, tudo isso enchia nossos olhos, enquanto brindávamos às nossas férias e à realização de um sonho conjunto : conhecer a ilha da beleza.

Escolhemos realizar a travessia entre o continente e a ilha com a SNCM, mas a Corsica Ferries também oferece o trajeto à partir da França. Opções de trajeto são diversas, tanto pra ida quanto pra volta, e partindo também da Itália. Sair de Marseille seria caríssimo, por isso escolhemos Nice : mesmo com pedágio e combustível pra chegar até lá, a viagem ficou mais barata do que se tivéssemos saído da Provença mesmo. Ir de avião é de fato mais rápido, mas tiraria o charme de boa parte da viagem : não teríamos vivenciado o agradável piquenique no deck, apreciando a vista pro mar, nem visto baleias ou mesmo os golfinhos que acompanharam o navio na volta, já no largo do litoral provençal. Esta foi uma viagem de muitas “primeiras vezes”, e uma destas foi o belo pôr-do-sol no mar, tanto na ida quanto na volta, que foi feita a partir do porto de Île Rousse e teve chegada em Toulon, onde vimos o imponente porta-aviões da marinha francesa, Charles de Gaulle, dentre outros barcos militares.

Nos próximos posts, falarei sobre o desenrolar dos nossos passeios, que eram planejados na véspera, ao redor da mesa do jantar e acompanhado de boa conversa e bom vinho. Não elaboramos um roteiro, nem pensamos em algo estruturado em termos de visitas : o objetivo era justamente fugir de todo e qualquer planejamento, que já nos acompanha em nosso dia-a-dia atribulado. Temos todos quatro uma paixão comum por trilhas e caminhadas, e isso foi um pouco o fio condutor dos nossos passeios. O único objetivo era desfrutar das férias e das companhias, e posso dizer que ele foi cumprido, e com louvor.

Un séjour au paradis: la Corse


Ce voyage a commencé bien avant que l'on embarque sur le navire, voire que la réservation des billets soit faite, ni les valises. Au fait, ce voyage a commencé au moment où, lors des célébrations du jour de l'an, pile quand on se fait sa petite liste de résolutions, je me suis dit qu'il fallait, en 2013, profiter d'avant de ce beau pays où on a la chance d'habiter et qui est la France. Et comme destination principale, j'avais choisi l'île de la beauté. Depuis un certain temps nous nous disions qu'il fallait prendre ce bateau et faire la traversée jusqu'en Corse pour découvrir toute la richesse que se cache dans cette île et qui enchante tout ceux qui s'y rendent. Voilà, ma résolution était bien enregistrée, mais je n'avais aucune idée quant au temps que ça prendrait pour que l'attente soit finie. Et bien, tous les vœux étant faits, la résolution tombe petit à petit dans l'oublie dont sont victimes la plus part des résolution de nouvel an.

Jusqu'à ce que une grande ami fasse l'invitation qui allait la remettre à l'ordre du jour : « Et si on allait en Corse ? On n'aura pas de souci à se faire pour l'hébergement ». Tantôt elle avait fini sa phrase, je me voyais déjà allongé sur une plage de sable blanc, l'eau turquoise, et le tout en plein été, un rêve, quoi. J'avais besoin de quelques minutes pour être sure que j'avais bien compris l'invitation qui me venait tout juste d'être faite. C'était presque la fin de mes études, la soutenance du mémoire de M2 n'était pas loin, et je ne me sentais pas du tout sure de l'accomplir, donc j'ai hésité à répondre de suite. Mais grâce à mon mari, qui m'a rassuré qui tout allait bien se passer, j'ai réservé les billets, la veille même de la soutenance. Et je les vois comme un porte-bonheur, car ce billet n'aurait pas été écrit si je n'avais pas réussi mon diplôme.


Deux mois après le jour où j'avais fait la réservation de notre traversée, nous arrivions au port de Nice, où la Méditerranée nous attendait, sous une pluie estival au milieu de l'après-midi. Je n'avais ressenti une telle joie en ce que concerne un voyage que lors de mon tout premier départ à l'étranger, il y a presque 9 ans, quand je suis aux pieds de la Tour Eiffel, la matérialisation d'un rêve chéri depuis longtemps. Paris était la destination numéro 1 sur ma liste de villes à visiter, et maintenant c'était le tour de la Corse d'occuper une telle place dans ma petite liste d'envies de voyage. L'embarquement s'était vite passé, nous avons trouvé rapidement la cabine réservée par nos amis, et y avons laissé nos affaires aussi, n'ayant jamais mis pied dans le salon où se trouvaient nos fauteuils. Car s'il y a une avantage de faire la traversée pendant la journée, elle est bien autour du pont : le paysage méditerranéen invite à des heures de contemplation. Avec un peu de chance, les baleines vont apparaître de temps en temps pour embellir l'horizon maritime. La cerise sur le gâteau de cette traversée : un éblouissant coucher du soleil sur la grande bleue.

Golfinho mediterrâneo

Petit à petit, nous gagnions le large de Nice, le port s'éloignait et la pluie ne tombait désormais que sur les collines et vers les Alpes, le soleil faisait un effort pour regagner sa place de droit auprès de ceux qui l'attendait sur la Promenade des Anglais et allongés sur les plages. Et nous trinquions à nos vacances et à ce moment magique qui précède l'imminente réalisation d'un rêve, celui de mettre les pieds sur l'île de la beauté.

Les billets suivants seront consacrés à nos périples en Corse, un voyage dont la seule chose qui était bien planifié et réservée était la traversée, aller et retour (on aurait pu en faire l'impasse, puisqu'on en parle). Notre but commun, hormis la découverte de cette magnifique région, était de bien profiter des vacances, de laisser tous nos soucis derrière nous, au fur et à mesure que le continent s'éloignait, et de passer un très bon moment entre amis. Notre mission fut aboutie, et très bien aboutie. 

Posts já publicados sobre nossa viagem à Córsega:

Pôr do sol mediterrâneo

5 comentários:

  1. só tenho duas palavrinhas: ai, ai....

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    1. E foi bem isso que suspiramos quando o barco se distanciava da ilha...

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  2. Natalia, que delícia esses posts sobre a Corsega! Estive lá há uns anos e amei, realmente é um lugar injustamente desdenhado pelos brasileiros, talvez pelo voo/ferry adicional, ou pela necessidade de carro.
    Bonifacio e Spelloncato sao dos lugares mais incríveis em que já estive.
    Um abraço!
    Deb

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    1. Ei Deborah!
      A Córsega é meio negligenciada como destino turístico pelos brasileiros mesmo, mas acho que isso é em parte devido ao desconhecimento do lugar, e ao grande estereótipo turístico de que a França se restringe à Paris, o que acho uma pena.
      Acho que o o deslocamento até la, que fizemos de navio, foi um charme, um detalhe muito legal da viagem, e pra quem não quer passar horas na travessia, o voo é curtinho, né!
      Bonifacio esta nos planos pro nosso retorno por la, queremos conhecer melhor o sul e o oeste da ilha!

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  3. Oi, Natália!
    Já escrevi para você em outro post (já nem me lembro qual de tantos que já li...), mas agora lendo este, me veio a ideia de conhecer a Córsega. Não sei ainda, estou pensando, vou reler tudo o que vc escreveu, vou xeretar mais no seu blog... O que me faz ficar receosa é o fato de que estarei sozinha. Vou me hospedar em Aix por 5 a 7 dias e praticamente ja fiz o roteiro baseado em tudo o que vc escreveu, mas como ainda tenho mais dias, não sabia bem para onde ir...Lyon, Nimes, Cannes, Saint-Tropez...nossa quantas opções! Conheço Nice e Marseille. Você acha que encaro sozinha a Córsega? Estarei em Aix no dia 27/06 até 02/07 (ou mais).
    Super agradeço se puder me dar alguma orientação.
    Ana C.

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