19 de nov de 2013

Córsega dia IV, do litoral à montanha: praia de Palombaggia e col de Bavella


A grande vantagem de visitar a Córsega de carro é poder explorar diferentes pontos da ilha numa mesma temporada. As distâncias são relativamente pequenas, sendo 183km de norte (Cap Corse) a sul (Capo Pertusato), e 83km de leste (Alistro) a oeste (Capo Rosso), o que permite o planejamento de paradas estratégicas em pontos de interesse entre um destino e outro, e foi exatamente assim que programamos nosso passeio ao sul da ilha. As distâncias são curtas, mas as estradas não encurtam o tempo de deslocamento, pois não há autoestradas com limites de 130km/h na ilha, sendo que o trecho de maior velocidade que percorremos foi um curto trecho saindo de Bastia em direção ao sul, com limite de 110km/h. No restante do percurso, 90km/h é o limite, e curvas são figurinhas carimbadas de norte a sul, leste a oeste no território insular, principalmente quando percorremos a costa do Cap Corse. Haja estômago e labirinto no lugar.

Conversando com amigos que conhecem a ilha de longa data, nos demos conta que nosso objetivo era ousado, pois queríamos aproveitar o final do verão mediterrâneo no litoral masa ao mesmo tempo, ter uma amostrinha do que o alto relevo do centro corsa pode nos oferecer. E apesar de termos ficado 5 dias e meio por lá, conseguimos ir do extremo norte do cabo corsa ao sul da ilha, o que nos deu uma belíssima amostra das paisagens variadas entre montanhas e mar, e deixou aquele gosto de quero mais que motiva planos pra retorno em breve.

Assim sendo, acordamos cedinho e calculamos cerca de 3 horas pra chegarmos ao nosso destino no sul : a famosa praia de Palombaggia, no litoral de Porto Vecchio. Gastamos meia hora pra percorrer a sinuosa estradinha até Bastia (estávamos a 25km de lá, sentiram o drama da sinuosidade da estrada?) e o restante do tempo, menos sinuoso mas não completamente reto, até o destino final. No caminho, a paisagem passou de praia, lago, montanhas com chalés por vinhedos a perder de vista, pastagens e o mar, sempre a nos acompanhar. Pescoço ficou torto de tanto olhar pro lado, pra não perder um pedacinho sequer daquele passeio pelo paraíso.

Com uma paisagem dessas, como evitar o torcicolo veicular?

Chegamos diretamente em Palombaggia, sem sequer passar pelo centro de Porto Vecchio, escolha feita em função do nosso plano de voo, que era um mergulho nas águas turquesa e depois subir montanha no centro da ilha. Assim, Porto Vecchio acabou entrando na lista dos destinos a serem visitados numa segunda visita à Córsega, mas acredito que os vilarejos pelos quais passamos nos arredores da cidade já nos deram uma ideia do estilo arquitetural, muito diferente do que vimos em Bastia e no Cap Corse : as casinhas do sul eram de uma pedra escura acinzentada, o mesmo estilo que encontramos quando subimos a montanha horas mais tarde.

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Ao nos aproximamos de Palombaggia, toda a exuberância do mar se revelou depois da curva: a promessa do azul turquesa, feita por todos que nos falaram da ilha e nos deram dicar, se revelou uma recompensa mais que à altura ou ao raio das inúmeras curvas enfrentadas. Depois de dias nos banhando em meio a pedrinhas na praia, chegou o dia dos pés se deliciarem na areia branca e fina do sul. Confesso que, depois de 3 verões frequentando praias com pedregulhos (e sem as danadas das sapatilhas pra nadar), os pés acabaram se acostumando e estranhei quando estendi minha toalha grossa na areia. Me estendi junto, pra tentar colocar o labirinto em ordem, porque eu estava quase andando em círculos depois de tantas curvas.


Ficamos até o início da tarde na praia, entre mergulhos driblando medusas e esticadas ao sol, e depois do nosso clássico pique-nique e do tempo necessário à digestão do mesmo, porque não dá pra pegar estrada depois de encher o pandu na Córsega, seguimos rumo às montanhas, nosso desvio pelo centro da ilha pra apreciar do alto a paisagem que tanto nos encantou. Escolhemos o col de Bavella enquanto folheávamos um jornal com as principais atrações da ilha : ao nos depararmos com as imagens de belas piscinas naturais em tons de esmeralda, formadas pelas águas que correm por entre as rochas, fomos conquistados pelo lugar. Desconfiamos que seria deveras ambicioso fazer o duplo passeio no mesmo dia, principalmente porque não nos organizamos em termos de reservas com as empresas especializadas pelos roteiros em Bavella, mas decidimos ir até o cume mesmo assim, pois o passeio que faríamos, com ou sem piscinas, seria certamente maravilhoso.






Cães são bem-vindos, e a praia estava limpíssima!


E assim foi. Saindo de Palombaggia, seguimos as indicações na estrada e rumamos à Bavella. Nossa primeira parada pra foto também exigiu um exercício de levantamento de queixo : as montanhas são maravilhosas, e ver do alto o litoral onde horas antes nos banhamos era mais que recompensador. A segunda parada foi pra apreciar por alguns minutos a vista de uma represa entre pinheiros, que me lembrou as paisagens que já vi inúmeras vezes em filmes americanos, com lagos e florestas de coníferas em torno. “Uau” foi a exclamação que pontuou essa viagem, e ainda temos alguns “uau” pela frente.

A subida pra Bavella não foi muito diferente do caminho sinuoso que percorremos pra subir os Alpes. No fim do percurso, faltou só a neve. Quer dizer, não faltou, mas eu bem poderia ter pensado em deixar um casaquinho no carro, porque saimos dos 26° da praia de Palombaggia e fomos pros 15° que fazia no topo da montanha. As piscinas de águas esverdeadas requerem mesmo um certo planejamento, de preferência que um dia inteiro seja dedicado ao passeio, por isso nos contentamos em percorrer uma trilha que cabia no nosso cronograma, de uma hora e meia de caminhada. Entre as árvores altas, o perfume de pinho e a luz do sol de fim de tarde de verão filtrada pelas árvores, caminhamos sem pressa até o fim da trilha, um mirante de onde pudemos contemplar o melhor da região : o vale acidentado que se desenhava até o mar. E foi nesse mirante que fizemos nosso segundo pique-nique – das melhores coisas que aprendi com os franceses. De quebra, ainda comemos amoras selvagens de sobremesa. Tudo isso, com vista pro mar. O caminho de volta, a descida da montanha, foi bastante sinuoso, e fez o restante do percurso parecer praticamente uma reta. Chegamos em casa já depois do pôr do sol, com um dos melhores passeios como lembrança.






Estátua de Nossa Senhora das Neves. Quase 1900m de altitude





A segunda placa deveria ser desnecessária, mas tem gente que insiste em
pensar que o lixo vai se deslocar por vontade própria até a lixeira


Amoras selvagens, nossa sobremesa


Aqui foi nosso pique-nique com vista pro mar

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