12 de abr de 2016

Viajar leve e sem carrinho com bebê: missão impossível?



Tivessem me dito isso uns anos atrás, eu certamente responderia afirmativamente à pergunta, mas depois de ter passado recentemente pela experiência digo que sim, é possível. Há uns quatro anos deixamos de despachar bagagem durante as viagens e não vou mentir que o início do exercício de desapego foi difícil, mas a cada nova arrumação de malas (e consequente desarrumação ao retornar pra casa), percebi o quanto isso é libertador em vários aspectos, sendo a praticidade o principal. Carregamos aquilo que realmente precisamos, não temos tempo de espera pela mala nem o estresse da possibilidade do extravio - e foi esse o principal motivo que me fez adotar a prática, quando fomos passar nosso primeiro natal no Brasil, quatro anos atrás.



Um casal de amigos, durante dois anos consecutivos, viveu o pesadelo de todo viajante quando desembarcou pro natal no Rio sem as malas, cheias de presentes pros familiares e amigos, além dos seus próprios pertences. Isso foi o suficiente pra eu decretar que, quando fôssemos ao Brasil pro natal, iríamos levar apenas bagagem de cabine, e os presentes teriam que caber nela junto com  nossos pertences. Depois de um tempo viajando em companhia aérea low cost a gente aprende a levar o mínimo necessário em uma bagagem com dimensões para cabine, pouco importa a duração da viagem - poucos dias ou algumas semanas. Minha primeira viagem no estilo durou cerca de uma semana, e lembro que sofri muito pra tentar fazer todo meu guarda-roupas e sapateiro dentro de uma mochila pequena. Hoje acho graça disso, mas na época eu até cogitei pagar pra despachar, até ver que o preço seria superior ao valor do bilhete. Daí, desencanei.

Ainda assim, levei um monte de tralha desnecessária, um monte de sapato completamente anti-andanças: conhecer alguém que leva salto pra visitar três países, sendo que a maior parte do dia vai andar horrores e ainda tem uma lesão recente no joelho? Prazer, eu levei. Por sorte, o joelho hoje vai bem, obrigada, e os sapatos em questão foram doados há algum tempo, quando comecei a estagiar com crianças. Sapatos baixos e tênis viraram meus melhores amigos, minha sapateira e guarda-roupas tiveram uma redução significativa ao longo desses anos, e ainda há muito desapego a praticar. Mas o foco é viagem leve E com bebê E sem carrinho. Disse que o cachorro foi também? Então, acrescenta  o cachorro na equação. O trajeto foi feito majoritariamente de trem, ou seja, transportes públicos foram usados grande parte do tempo. Com bebê. E cachorro. E duas mochilas. Ponto. Ah, o bebê era carregado no canguru.



Eu ouvi de um tudo por conta desse canguru, desde antes dele nascer até hoje, quando ele tem 7 meses e meio e pesa 8,4kg. Escolhi um canguru bem tilelê, desses tecidos compridos trançados em estilo africano e que tem umas dez opções de nó (eu sei fazer uns quatro e to feliz com isso). Tão feliz que por um momento cogitei vender o carrinho, mas resolvi dar a ele a utilidade pra qual foi comprado: voltei a correr e levo bebê junto. E na nossa primeira viagem com o Victor não levamos carrinho, só usamos o sling, mas havia um carrinho à disposição caso precisássemos - o que não aconteceu, os passeios funcionaram bem com ele no sling. Mas essa primeira viagem teve um ritmo tranquilo, diferente da segunda, quando ficamos 9 dias perambulando pela Normandia, viajando de trem. Ali sim, pusemos à prova nosso estilo de viagem leve (claro, nossas mochilas nem de longe chegam ao tamanho compacto da bagagem da Camila Navarro do blog Viaggiando, musa inspiradora do desapego material no quesito bagagem). 

A parte sa bagagem foi bem tranquila de gerenciar: mesmo viajando no fim do inverno, e pra uma região um pouco mais fria que onde moramos, levamos o necessário pra nós e foi suficiente, e a mala do Victor foi mais cheia pois ainda tinha o pacote de fraldas, toalha e roupas extra, mas muitas voltaram sem ter sido usadas. Levamos um macacão bem quente pra ele usar no sling, e uma capa corta vento quentinha que também proteje da chuva pra colocar por cima (mas esquecemos no trem, fuén fuén). Ele não ficou o tempo todo no sling, mas grande parte do tempo que era carregado ele dormia, e quando acordava a gente fazia pausa pra ele mamar, se esticar, brincar um pouco. Acho que funcionou muito bem essa dinâmica das mochilas + sling, pois ficamos com as mãos livres e pudemos sair tranquilos com ele e a Luna, como faço todas as manhãs, e ainda não precisamos nos preocupar com o carrinho no trem e nos outros transportes públicos. E as costas? Essa foi uma pergunta que ouvi muito, e digo: não doi, o peso é bem dividido quando a amarração é feita corretamente, é quase como carregar uma mochila na barriga, estamos bem acostumados e eu inclusive faço caminhada com ele no sling, num ritmo moderado. Que venham as próximas viagens de mochila e bebê amarrado no colo ou costas do pai ou da mãe!

10 comentários:

  1. Boa noite Natalia,
    enviei uma msg há alguns dias mas não obtive resposta. Eis que surgiram dúvidas diferentes, e daí resolvi tentar novamente um contato com vc.
    Viajarei próximo mês. Como a primeira metade da viagem será em Paris, pegarei um TGV para Avignon para fazer a região da Provence. Inicialmente pensei neste roteiro: (porém à medida que leio mais sobre a região surgem novas idéias)

    OPÇÃO 1
    27/05- TGV de Paris para Avignon bem cedo (pegaria o carro na chegada e passaria a tarde conhecendo a cidade, no final do dia viajaria para Luberon)
    28, 29 e 30/05 – Conhecer as cidades da região Luberon (pensei em me hospedar Gordes). 30/05- final do dia iria para Aix e dormiria lá
    31/05- Conhecer Aix e final do dia viajar para Marseille, dormindo lá
    01/06- conhecer Marseille durante a manha e devolver o carro no aeroporto de Marseille (voo de volta ao Brasil às 19h)
    Desta forma me hospedarei em 3 cidades (Gordes, Aix e Marseille).

    OPÇÃO 2
    27/05- TGV de Paris para Avignon bem cedo. DORMIR EM AVIGNON.
    28/05- CHATEAUNEUF DU PAPE pela manhã e seguir para região do Luberon.
    28/05 à tarde, 29/05 e 30/05 – Conhecer as cidades da região do Luberon. 30/05- final do dia iria para Aix e dormiria lá
    31/05- Conhecer Aix e final do dia viajar para Marseille, dormindo lá
    01/06- conhecer Marseille durante a manha e devolver o carro no aeroporto de Marseille (voo de volta ao Brasil às 19h)


    Perguntas:
    1- qual melhor opção de roteiro (opção 1 ou 2)?
    2-Acha a ordem e a escolha das bases interessante? Ou mudaria/tiraria alguma coisa no roteiro?

    Parabéns pelo blog e agradeço desde já pela atenção.
    Att Monaliza.

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    1. Oi Monaliza,
      Olha, a escolha das cidades pra visitar é muito pessoal e depende do seu interesse, mas pensou em montar base em uma cidade maior como Avignon ou Aix que tem opções de restaurantes pra jantar ao invés de Gordes, onde tudo fecha cedo?
      Não há necessidade de se hospedar em Marseille, o aeroporto fica na mesma distância de Aix ou Marseille, podem passear durante o dia em Marseille e no dia do retorno visitar Aix, que é menor, e irem pro aeroporto. É pouco prático dirigir em Marseille também, trânsito muito ruim no centro, prefiram ônibus ou trem de Aix até lá.

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    2. Bom dia Natalia,
      coincidentemente hj cedo, antes de ver sua resposta, pensei realmente em escolher apenas Avignon como base para as cidadezinhas do Luberon e depois partir para Aix. Agora que li sua resposta tive a certeza! Fico muito feliz em ter me ajudado. Não conheço nada da região e precisava mesmo de uma orientação, para então reservar os hotéis e o carro.
      Com base na sua experiência, reservando 3 dias inteiros para região do Luberon, qual dessas cidades acha que devo priorizar para visitar (Gordes, Roussilon, Bonnieux, Les Baux, Saint Remy, Menerbes, Loumarin)?
      Muitíssimo obrigada!

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    3. Vai ficar um pouco corrido, mas dá pra fazer Roussillon, Gordes e Bonnieux no mesmo dia (sugiro um tempo maior em Roussillon pra visitar a mina de ocre, tenho post sobre um passeio em Gordes e Roussillon aqui no blog), Les Baux e Saint-Rémy ficam uma ao lado da outra, mas em Baux tem castelo e carrières de lumières (também tem post sobre as duas cidades que no blog, procura no índice), e por fim Lourmarin e Menèrbes dá pra visitar no mesmo dia.

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  2. Estou ainda longe de ter filhos mas adoro a forma descomplicada como lidam com as coisas do dia-a-dia e em viagem. Eu mesma me habituei a não despachar bagagem, por força das low-cost europeias, e aprendi a viajar leve. Hoje, mesmo quando posso despachar, não o faço e funciona super bem! Também um dia espero poder viajar com um sling e deixar em casa o "trambolho" do carrinho. 😄

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    1. Sou grata às low-cost pelo empurrão a aprender a viajar leve! E não levar o carrinho foi libertador, principalmente porque temos pouco tempo pra entrar e sair do TGV, seria igual a corrida maluca tentando pegar o trem!

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  3. Ainda não conseguir fazer viagem internacional sem despachar bagagem, mas quem sabe na próxima kkk é bom saber que é possível. Bjs e fique boa logo

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    1. Quando fizemos da primeira vez foram e semanas no Brasil cpm uma mochila pra cada, e teve roupa que não usei!

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  4. Nunca embarquei mala. A minha mala de cabine, com 4 rodinhas, um luxo, é tudo o que eu preciso para viagens curtas, longas, no inverno ou não.

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    1. É tão prático, né? E sair do avião e ir direto pro saguão sem aquela espera pelas malas e a possibilidade de terem sido extraviadas!

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Estarei de férias no período de 27/04/2017 a 12/05/2017, os comentários feitos nesse período podem demorar mais que o normal para serem respondidos.

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