10 de jun de 2014

Sisteron


Esculpida no alto de um rochedo escarpado que desponta imponente situado no encontro dos rios Durance e Buëch, ambos de águas turquesa, a cidadela de Sisteron salta aos olhos mais desavisados que percorrem a estrada que liga a Provença aos Alpes. Meus olhos desavisados deitaram-se sobre a cidadela durante nossa primeira ida aos Alpes, no inverno de 2010, e durante incontáveis idas e vindas ao longo da estrada alpina, a promessa de parar e visitar o lugar se renovava, mas a data nunca se fixou. Até que a segunda feira preguiçosa de um feriado quente e ensolarado se apresentou como oportunidade perfeita pra promessa ser enfim cumprida. 

100km separam Aix-en-Provence de Sisteron, e percorrê-los com finalidade diferente da usual foi um imenso prazer. Ao invés do equipamento de neve e roupas impermeáveis, estávamos levando toalhas de banho e biquinis, e um piquenique pra fazer à beira-d'água, entre amigos. Chegando lá e pra nossa ligeira decepção, o lago público onde planejamos nos refrescar estava completamente seco e em manutenção, então seguimos direto pro centro da cidade, caminhando em direção à principal atração do lugar: a cidadela. As várias indicações espalhadas pela cidade nos levaram rapidamente ao monumento. Pagamos a entrada (6,30€ por pessoa), pegamos o mapinha e fomos viajar no tempo.


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Os vestígios de ocupação humana indicam que o local já tinha vocação de proteção no século I antes de Cristo, mas a construção que vemos atualmente data à partir do século XIII. Construído como ponto de proteção de fronteira da Provença contra as invasões da província vizinha, Dauphiné, cuja antiga capital era Grenoble. Ambas as regiões não existem mais administrativamente, mas os povos que habitam os departamentos (atual divisão territorial que em breve vai sofrer modificações) continuam sendo conhecidos como "dauphins", e tentaram repetidas vezes tomar o território dos vizinhos provençais.

J'ai découvert cette citadelle perchée en haut du rocher il y a 4 ans, lors de mon premier weekend au ski. Sur la route, j'étais émerveillée par cette magnifique fortification qui se dessinait sur l'horizon, avec la Durance à ses pieds. Pendant le trajet de retour, quand je regardais le monument mis en valeur par les lumières nocturnes, je me suis dit qu'il fallait absolument y aller pour contempler ce monument de plus près. Il m'aurait fallu attendre un beau lundi férié sous le signe d'une forte chaleur pour avoir envie de me rapprocher, ne serait ce que peu, des paysages dont je raffole pendant l'hiver, les Alpes, juste pour découvrir le merveilleux site sur ma route vers la station de ski qui m'attire le plus le regard.






 Além de ter sido ponto estratégico de defesa durante as várias invasões territoriais sofridas antes da unificação do reino francês, a cidadela de Sisteron teve papel importante no período napoleônico, pois foi por ali que o imperador passou, depois de ter fugido da ilha de Elba. Se não fosse a falta de pólvora pra alimentar os 20 canhões da fortificação, talvez a empreitada de Napoleão teria sido terminada por ali mesmo. Mas o imperador seguiu viagem em companhia de seus 1200 soldados, pra governar durante os 100 dias antes de ser mandado pro exílio em Santa Helena.

O mais recente episódio envolvendo a edificação data da segunda guerra, quando os resistentes - que combatiam os nazistas que ocupavam então o território francês - entraram na cidadela usando a técnica do cavalo de Tróia, e libertaram os presos políticos que ali estavam encarcerados. No mês seguinte, as forças aliadas bombardearam violentamente o local, e o que vemos hoje é o resultado de um imenso trabalho de restauração iniciado por uma associação local no ano de 1956.

O circuito da visita é sinalizado por setas que orientam o itinerário no interior da cidadela. Vale subir até a torre onde ficou preso o príncipe polonês Jean Casimir Vala em 1639 e apreciar a vista panorâmica da região e do vale do rio Durance. A capela de Notre Dame du Château é fruto do trabalho de restauração, pois a original foi completamente destruída durante o bombardeio de 1944, e as fotos que vemos no interior são um testemunho triste da situação na época.

O que mais surpreendeu na visita, além da construção em si, é a vista panorâmica espetacular da região, inclusive pros Alpes. Como o vento que soprava vinha do mar, a visibilidade da cadeia alpina não era a melhor, mas ainda pudemos ver pontos da montanha cobertos de neve, enquanto o suor molhava nossos rostos sob um calor de 28°. Pra refresca, só mesmo explorando o interior da cidadela, e nessa exploração acabamos descendo os 258 degraus da escadaria cavada na pedra, que ligava a porta mais baixa ao interior da fortificação. E quem acha que tem saída, engana-se: no final da escadaria, temos que voltar os mesmo 258 degraus. Pra nossa sorte, ali dentro estava fresquinho e a vista das janelas era de tirar o fôlego - mais que os degraus acima!





Interior da capela restaurada

258 degraus abaixo. Pra chegar no fim e subir tudo de novo.

E no meio do caminho escada abaixo, essa vista.
Depois de percorrermos o interior da cidadela e nos perdermos pelas ruelas do vilarejo com ares e cores provençais, voltamos pro estacionamento na beira do lago e da represa artificial pra banho (que estava vazia), escolhemos uma sombra às margens do rio e estendemos nossa toalha pro piquenique. Durante o verão o estacionamento é pago, mas o acesso à área de banho é gratuito, e salva-vidas garantem o mergulho sem perigo na piscina.

Durante os meses de julho e agosto a cidadela é palco das Noites da Cidadela: espetáculos teatrais, musicais e de dança animam o teatro ao ar livre, situado no lado norte da fortificação.







Um comentário:

  1. Fomos o ano passado e também gostámos muito. Pena que vocês não conseguiram refrescar-se um pouco na piscina...

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