Aprender francês na Provença

postado em: Aprender francês, Estudar | 18

Que tal aprender francês na Provença durante uma curta temporada? Pois imagine passar férias de uma forma diferente, aproveitar dias longos, visitar paisagens que inspiraram Cézanne, Picasso… Sentir o perfume de pinho durante uma trilha pelas calanques, zumbido das abelhas no meio dos campos de lavanda, o balanço suave do mar mediterrâneo… Ou ainda apreciar o artesanato local, a gastronomia de dar água na boca com suas numerosas rotas dos vinhos e ainda voltar pra casa sabendo mais do que Bonjour, Merci e Au revoir ? Então vou contar pra vocês como foi minha primeira experiência de aprendizado do idioma francês.

Rotonde Jeanne d’Arc, montanha Sainte-Victoire, detalhe do centro, Igreja Sainte-Catherine

SUFLE Aix-Marseille Université

Era fim de março quando chegamos, praticamente fim do ano escolar, que termina em junho. Sabíamos que eu deveria estudar francês, e que a Aix-Marseille Université tem o serviço de ensino do francês pra estrangeiros, SUFLE. As aulas acontecem no campus em Aix, na faculdade de letras, não muito longe de onde morávamos, então acabei nem procurando outra instituição na época. Além disso, nossos amigos também estudavam lá e nos recomendaram o curso, mas eu deveria esperar o início do verão para me inscrever nas aulas ao longo do mês de julho.

Até o início do curso tive muito tempo pra me ocupar da montagem da casa, o que de uma forma me obrigou a aprender um pouco de francês pra sobreviver. No dia a dia, eu me forçava cada vez mais a interagir e me comunicar com as pessoas, e quando me sentia travada, meus interlocutores em geral passavam pro inglês, ou gestos, enfim, a comunicação acontecia. Mas eu comecei a estudar por conta própria também, pois queria ocupar meu tempo e melhorar a comunicação em francês.

Meu curso autodidata foi intensivo: comprei gramática, lia jornal, assistia tv e ouvia rádio, repetia tudo que ouvia igual criança quando começa a aprender a falar. Misturava inglês com francês, afrancesava o português e aos trancos e barrancos cheguei no dia da prova de nível para saber em qual turma eu faria o curso.

Notre Dame de la Garde vista do Château d’If, Château d’If visto do barco, sabonetes de Marseille, detalhe Notre Dame de la Garde

Medo de errar? Fala com medo mesmo

Acho que o fato de eu ter trabalhado como professora de inglês durante alguns anos me ajudou muito a aprender, porque lancei mão das mesmas estratégias de aprendizagem que foram minhas ferramentas de trabalho. Com isso, cheguei na entrevista falando pelos cotovelos, mas com uma imensa lacuna em ortografia e gramática. Mas como o foco do curso de verão é a conversação (sem negligenciar gramática e ortografia, claro!), fui pra uma turma que já falava bem e tinha um certo tempo de estudo do francês, e me senti um peixe fora d’água, mas consegui acompanhar o curso.

Logo na primeira semana, ao conversar sobre minha experiência como professora de inglês com a  responsável pedagógica do curso fui convidada por ela a participar do estágio de formação pra professores estrangeiros de francês, com duração de duas semanas. Assim, intercalei duas semanas de curso de francês e duas semanas de formação, e meu curso de verão foi um 2 em 1, já que sai de lá com os dois certificados, um bônus por ser um tanto tagarela!

Atividades para aprender francês

Dentre os vários passeios propostos optei por três: a visita à uma vinícola perto de Aix-en-Provence com direito à degustação, a fábrica da L’Occitane (que significa “mulher da Provença” no dialeto occitan ou provençal) e a visita à uma chocolateria, também com degustação (e a pessoa aqui tava muito ocupada pra tirar fotos, confiram o site do paraíso do cacau aqui!). Como tínhamos acabado de chegar e teríamos outras oportunidades para fazer os outros passeios, acabei anotei os destinos propostos que me interessaram e fizemos alguns dos passeios depois, como foi o caso de Gorges do Verdon. Os passeios oferecidos durante o curso custam em média 15€ por pessoa, com transporte e taxas de visita inclusos.

Quando terminei o curso não dominava o idioma (não acredito dominar o português, quiçá um idioma estrangeiro!), parece ser missão impossível em quatro semaninhas, né? Mas nos surpreendemos com o progresso feito quando está imerso no idioma e na cultura, e mesmo que 4 semanas passem rápido e pareçam pouco, é uma experência extremamente enriquecedora em diversos aspectos e depois dessa experiência senti muito mais segurança pra conversar e me empenhei ainda mais nos estudos autônomos antes de me inscrever no curso anual pra me preparar pro exame de francês exigido pra inscrição no mestrado em psicologia.

Lac de Sainte Croix, Gorges du Verdon, Moustiers-Sainte-Marie e porcelana local

Como é aprender francês na Provença durante o verão

O curso de verão tem duração entre duas e cinco semanas e o valor da inscrição é proporcional ao tempo de duração (as tarifas são corrigidas todo ano, clique aqui para mais informações). Já o estágio de formação pra professores de francês língua estrangeira tem duração de duas semanas e requer bom conhecimento do idioma (nível B2 segundo o Quadro Europeu de Referência para línguas, que é um nível no qual a pessoa tem competências de compreensão de textos que tratam de assuntos complexos em termos gerais e na sua área de atuação profissional, conversa com interlecutores nativos com desenvoltura de maneira clara e sem maiores dificuldades e opina sobre assuntos diversos, sendo capaz de expor seu ponto vista e argumentar – eu não tinha desenvoltura, só tagarelice mesmo).

E quando a gente não sabe falar nada além de “Merci”, “Bonjour” e “Au revoir”, dá pra fazer o curso? Claro que sim, os grupos são divididos de acordo com os níveis de conhecimento do idioma, indo do mais básico (leia-se: não sei falar nada) ao avançado. E antes do início das aulas, passamos por um teste com os professores pra avaliar em qual nível estamos. E são professores formados pra ensinar francês para alunos estrangeiros, então eles possuem ferramentas e estratégias pra conseguir realizar a tarefa inclusive com pessoas que não tem nenhum conhecimento do idioma! A experiência é extremamente enriquecedora e pode ser uma forma diferente de aproveitar as férias e melhorar o currículo!

Alliance Française: a experiência da minha mãe

Em 2018 inscrevi minha mãe no curso intensivo de francês durante três semanas, pra que ela pudesse aproveitar o tempo aqui pra aprender, enquanto Vic estava na escola. Ela teve 16 horas de aulas por semana, 4 vezes na semana – exceto às quartas-feiras. A escola oferece o curso anual, com início em setembro, mas que também pode ser feito por um semestre, à partir de janeiro até junho. Além disso, há o curso de verão e outros cursos mais específicos, como francês para au pair, as babás estrangeiras que vivem e trabalham em casas de famílias francesas.

No caso da minha mãe, fiz a inscrição no curso anual, mas para apenas três semanas de aula, pois seria o tempo justo para o retorno do Brasil em função da data de início do curso. Ela gostou muito das aulas, com foco na conversação e exercícios de gramática escolhidos de acordo com o tema da aula. Fiquei feliz quando vi que a gramática usada pela professora era a mesma que usei, Grammaire Progressive du Français, e percebi que ela conseguia entender melhor o que era falado, mas também lia com mais facilidade.

Acho que o curso foi uma ótima escolha tanto pela proximidade da escola à minha casa, como pela possibilidade de modular a duração, o que não teria como ser feito no curso da universidade. Mas atenção: para iniciantes, o ideal é chegar na época do início das aulas, seja meados de setembro, seja início de janeiro, para seguir o ritmo da turma, mesmo que o tempo de permanência não corresponda à duração total do curso.

Aspectos práticos

  • Visto: Como a duração do curso de verão é de no máximo 5 semanas, os brasileiros não precisam do visto de estudante para se inscreverem no curso de verão, a entrada como turista nos autoriza a permanecer 90 dias na União Europeia. A inscrição no curso de verão não configura inscrição universitária, ou seja, burocraticamente falando não confere o status de estudante perante os olhos da imigração – mas confere descontinhos no cinema e outros lugares apresentando a carta de estudante!
  • Hospedagem: Há duas possibilidades: hospedagem nas residências estudantis da universidade ou aluguel de studio ou apartamento por temporada (semana ou mês). Veja aqui boas opções de hospedagem em Aix-en-Provence.
  • Como chegar à Aix-en-Provence: o Aeroporto mais próximo é Marseille Provence. Um ônibus faz o traslado aeroporto – rodoviária d’Aix (que fica no centro), passando também pela estação do trem (quem quiser dar um pulinho em Paris antes de vir ou ir pra Paris depois, em três horinhas o TGV percorre a distância de mais de 700km!). Tarifa aeroporto-centro: 7,60€. Tarifa estação TGV-centro: 3,80€. Leia mais sobre como chegar em Aix ou Marseille neste post.

18 Responses

  1. Marcella

    Que bacana suas dicas! Espero um dia poder fazer o curso por aí! E fiquei impressionada com o TGV, assim, sempre ouvi falar que é rápido e tal, mas comparando, imaginei um destes por aqui, fazendo BH-RJ em menos de 3 horas, sonho! Quem sabe um dia nosso país tenha um…

  2. Natalia Itabayana de Mattos

    Ei Marcella, que bom que gostou das dicas!! Minha primeira vinda à França foi à Paris, mas depois que conheci o sul me surpreendi e acho que é uma região que merece ser visitada também, e o curso de verão é uma forma bem inusitada de descobrir não so a região mas também aspectos culturais e o idioma francês! Eu também acho que no Brasil seria fantastico se tivesse um trem rapido ligando as capitais, facilitaria com certeza a vida de muita gente e estimularia o turismo nacional!

  3. Anônimo

    Bom dia Natalia,
    Ando navegando por tudo que é blog atrás de informações e adorei suas dicas. Vou me aposentar em abril de 2013 e gostaria de ficar em Provence por um bom tempo. Sou funcionária pública em Brasília e moro sozinha e gostaria de alugar um apartamento tipo quarto e sala mas só para mim, e fazer um curso de frances para estrangeiro, ou seja, aprender primeiro a falar. Pelo que vejo em Aix é bem caro e parece grande também. Qual a cidade você me aconselharia ? Agradeço qualquer informação que me passar. Como posso não encontrar a resposta, deixo meu e-mail: veramonteiro@hotmail.com, e agradeço a atenção. Vera

  4. Jackie e Rômulo

    Oi, só agora tive tempo pra ler com calma. Amei a dica do curso. Eu tb já dei aulas de inglês, mas tem anos. Esse ano retomei os estudos do inglês com professora particular porque quero tirar um novo certificado de proficiência. O meu é de 2000, mais que vencido rs Mas meu plano é fazer a prova no início do ano que vem, lá pra março. E assim que tirar o certificado, voltar ao francês, com esta professora mesmo. Meu ano de 2013 ainda é uma incógnita, pois temrino o mestrado e aí vou tentar estágio fora. Por enquanto pretendo ir aos EUA, mas nada descarta a Europa. E sempre quis ficar algumas semanas na França estudando. Talvez esse curso seja uma boa opção pra mim. Obrigada pelo post!
    beijos,

  5. Natalia Itabayana Junqueira de Mattos

    Também preciso tirar uma poeirinha do meu certificado de inglês, mas também tenho o mestrado pra terminar primeiro, e sei que se começar a estudar vou negligenciar meu ultimo ano, rs! Fico feliz que tenha gostado do post, espero que possa realizar seu projeto de estudar francês sur place, é uma super experiência!!
    Obrigada pela visita!

  6. Jackie e Rômulo

    Ei nta, voltei aqui pq ontem estava conversando com marido e acho que esse ano sai meu curso de francês! Marquei minha prova já de inglês pra março e aí dps da prova volto ao frances. Vou começar agora a procurar uma boa opção para estudar francês aí, um curso de 1 ou 2 meses para junho/julho ou depois da primeira semana de agosto. Na verdade queria ver se achava algo ligado a Foucault, com quem trabalho no meu mestrado. Ainda não falei com meu orientador (ele estudou aí), mas já estou em busca. Fingers crossed (é, não sei como é isso em francês, rs)!

  7. Natalia Itabayana Junqueira de Mattos

    Super Jackie!! On croise les doigts !

    Uma primeira dica: tente retomar a leitura de artigos sobre Foucault em francês pra se familiarizar com o vocabulário, e depois se lance nos próprios textos dele. Se entender 10%, excelente, você entendeu! Aos poucos 10% viram 20% e assim em diante!

    Durante o curso que fiz no verão os professores perguntam sobre os interesses do aluno e indicam leituras relacionadas à área profissional, que ajuda a familiarizar com estilo de escrita e vocabulário, mas as aulas são focadas mesmo no desenvolvimento do francês. Claro que eu vou puxar sardinha pro curso daqui, é do lado da minha casa e a região é linda , mas adorei de verdade, a didática deles é muito interessante, a mesma que eu usava no Brasil quando era professora, sem falar que os passeios e atividades extra curso propostos enriquecem muito porque é uma ocasião de vivenciar o idioma fora de sala de aula, o que acho muito importante e tem relação com esse post http://www.destinoprovence.com/2013/02/estaca-zero.html , a gente quando vive o idioma cercado de sensações consegue assimilar melhor e atribuir valor afetivo ao que é aprendido!

    Precisando de ajuda, estou sempre à disposição! Bonne chance !

  8. Anônimo

    Oi!…Olá! Adoro as dicas do Destino Provence….Como posso começar a estudar à distância…qual o site? gostaria de receber respostas suas…abç.

  9. Anônimo

    Oi Natália…mandei perguntar sobre o site a distância em francês…eu já falo mais oou menos…, falo inglês e italiano…e como quero fazer êste curso na França….gostaria que vc pudesse me dar mais umas informações sobre tudo, conheço Cannes, Frejus, Saint Tropez….morei na Itália alguns anos e nos EEUU…um abraço.

  10. Anônimo

    Boa tarde, gostei muito do blog, estou a preparar as malas…à procura de emprego e aprender a língua, e gostaria de saber se sabes de alguma sitio onde posso alugar uma casa? procurei mas todos que encontrei pediam recibos de vencimento e contrato de trabalho.
    desde já muito obrigada

  11. Cyntia Campos

    Você acaba de me deixar bem animada, Natalia 🙂 Faz um monte de tempo que eu penso em melhorar o francês que trago do ginásio (tem coisa mais antiga do que ter feito ginásio?). Obrigada pela dica. Bjs

  12. Vera Ribeiro Lavrador

    Boa Tarde
    Gostei muito das dicas e identifiquei-me completamente. Sou portuguesa e estou em França desde Janeiro deste ano e estou com algumas dificuldades em falar a Língua. Consigo perceber quase tudo o que dizem mas falar nao consigo. Parece que estou bloqueada ou será a vergonha de dizer mal. Já procurei por aqui onde aprender e não consigo encontrar. tenho licenciatura em Educação de Infância e Mestrado em A criança e as Artes mas como não falo quase nada da língua não consigo arranjar trabalho. Vivo em Oraison. E já começo a desesperar por aqui. Adorei o que li porque me identifiquei completamente nas suas palavras. Obrigada por partilhar a experiencia e boa sorte para o resto do estudo. beiijinhos

  13. Natalia Itabayana

    Oi Vera, bem-vinda!
    O começo realmente é meio chato, ficamos bloqueadas e, mesmo entendo algumas coisas, acabamos por não falar por medo de errar, mas tenha paciência, faz pouco tempo que você está aqui e é normal ter essa angústia. Paciência é a chave que abre a porta dessa nova etapa da vida em francês, e o tempo pode ser aliado ou algoz, por vezes nos sentimos em rápido progresso, por outras nos sentimos estagnadas, mas não desista, persista. Courage, tenho certeza que em breve falará francês naturalmente, portugueses tem uma facilidade invejável com idiomas estrangeiros!
    Abraço!

  14. Anônimo

    Estou tentando acessar o link "serviço de ensino do francês pra estrangeiros". Sem sucesso, com erro. Vc pode enviar o link atualizado ? Obrigada.

Deixe uma resposta