26 de fev de 2016

As facetas de Saint-Rémy de Provence



Alguns destinos nos chamam atenção por serem badalados, outros por seu aspecto histórico, e certos lugares são simplesmente "imperdíveis". Há ainda aqueles que esperamos para visitar em companhia de pessoas especiais, ou os que se enquadram na categoria "fica tão pertinho, qualquer dia vamos lá". Claro que as categorias não se excluem, e um mesmo destino pode ser badalado, imperdível, histórico e ainda receber o rótulo do "qualquer dia vamos lá" por ser do lado de casa. É o caso do destino em questão: a charmosa cidadezinha de Saint-Rémy de Provence, reduto de artistas e palco de um dos mais delicados capítulos da vida do meu artista favorito: Vincent Van Gogh.
Minha primeira visita à Saint-Rémy aconteceu durante o verão, época em que as estreitas ruas da cidade ficam repletas de turistas a flanar e visitar as inúmeras galerias de arte, saborear uma taça de vinho rosé à sombra das árvores de uma pequena praça, visitar as lojas de lembranças provençais, ocupar as mesas nas varandas dos bistrôs, cheia de vida pulsando sobre os pavês recém colocados do calçamento do centro histórico. Cidade que abriga patrimônio romano, que foi berço de Michel de Nostredame, conhecido como Nostradamus, e claustro da loucura criativa do gênio de Van Gogh, Saint-Rémy tem fachada e ares tipicamente provençais, e caminhar por suas ruas e se deparar com gatinhos tomando sol na janela ou flores as enfeitando é por si só uma excelente desculpa pra inclui-la no roteiro de quem vem passar um tempo na região.


Durante as duas visitas estivais que fiz a Saint-Rémy fiquei só flanando pelo centro histórico, sem visitar os museus da cidade ou o monastério de Saint-Paul de Mausole, onde Van Gogh ficou internado depois do episódio da orelha cortada que o fez ser expulso da cidade de Arles a pedido dos habitantes. Achei que o período estival não combinava, pra mim, com a visita, e preferi postergá-la pra poder dedicar um dia exclusivamente pra esta visita. Assim, dei preferência aos passeios externos e um momento pra relaxar no meio do mato.

O centro histórico de Saint-Rémy é bem pequeno e dá pra ser percorrido rapidamente, de preferência sem pressa pra se deixar surpreender pelos pequenos detalhes nas fachadas, como uma frase engraçada que li num relógio solar, "sempre é hora de fazer nada". Convite ao ócio que combina com a cidade, e foi nesse espírito que fui fazer nada pelas ruas acompanhada de uma amiga, que me mostrou seus cantos preferidos, se encantou com belas obras nas galerias de arte que visitamos - e  como visitamos, todas estavam abertas, expondo obras dos mais variados gêneros, mas bem distante do nossos bolsos infelizmente, pois tinha pelo menos 2 quadros que eu via decorando a sala aqui de casa. Nosso único compromisso era com nossos estômagos, e antes passamos na praça pra tomar um café, acompanhado de água gelada com rodelas de gengibre - além de achar o lugar um charme, com pratos de salada muito convidativos, adorei a ideia da água com gengibre, caiu bem pra refrescar o calor que fazia naquele dia.


Fonte em homenagem à Nostradamus e lojinha de souvenirs


O cantinho simpático onde tomamos nosso café cobiçando as saladas alheias 

Dá pra acreditar que é a mesma praça? Mas só deu pra ver essa torre durante o inverno!








Feira de artistas se estende pelas ruas da cidade
Seguimos dali pro lugar do nosso compromisso gastronômico: o lago des Peiroou, que na verdade é uma barragem construída onde outrora os romanos haviam edificado a barragem deles, que alimentava o sítio de Glanum. O lago fica nos Alpilles, nome dado à montanha que se estende ao longo de 25km passando também em Les Baux de Provence, que fica a 10km de Saint-Rémy. Apesar do calor, nadar no lago é proibido, nos contentamos em saborear nosso piquenique e observar os transgressores - sim, havia várias pessoas nadando, não devem ter lido as orientações na placa. Quem curte trilha também pode se aventurar pelos itinerários balizados, vale passar antes no Office du Tourisme de Saint-Rémy e pedir dicas de itinerários e um mapa, além de se informar sobre o risco de incêndio no período que vai de 1 de junho a 30 de setembro, quando o acesso às cadeias montanhosas e parques naturais é regulamentado em função do risco de incêndio (consulte o site da Prefeitura do Bouches-du-Rhône, atualizado sempre às 18h no período citado).

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Lago des Peiroou


A cidade tem mais a oferecer que o simples clichê provençal, e pude comprovar isso quando voltei no inverno, quase no final de janeiro. A paisagem muda um pouco, pois a vegetação que predomina na Provença são os pinheiros, que não perdem as folhas, mas os plátanos, que foram introduzidos na região com finalidade decorativa, estes sim perdem as folhas, então o corredor vegetal que é a estrada que leva à cidade muda completamente, deixando à mostra o relevo dos arredores. Diferente dos passeios estivais, o objetivo principal dessa visita de inverno era cultural: conhecer as ruínas romanas de Glanum, sítio arqueológico que faz valer a ida à Saint-Rémy mesmo no inverno.

Sítio Arqueológico de Glanum

Há algumas centenas de metros do Office du Tourisme de Saint-Rémy fica o sítio arqueológico de Glanum, com ruínas do período de dominação romana na região provençal. Mausoléu, arco, termas, fórum, casas e um poço sagrado, que data da época gaulesa e foi incorporado pelos romanos quando dominaram a região. Vale contar uma hora para a visita com calma, tempo para analisar os detalhes e ler o folheto explicativo (tem em português!) que nos situa em cada edifício da época. Termine a visita subindo ao belvedere, onde temos uma vista panorâmica sobre o sítio e, em dias de céu limpo, podemos avistar no horizonte o imponente Mont Ventoux, ponto mais alto da região, com seu cume a 1900 metros, sempre branco por conta das pedras que o cobrem. Apesar de termos feito a visita durante o inverno, a paisagem é bem bonita e a luz de fim de tarde de janeiro coloriu bem o relevo e a vegetação, e fez valer a pena o passeio. Uma das moças que trabalha no local nos aconselhou a voltar em abril, época em que a primavera está avançada e a paisagem ganha tons mais vivos. Voltaremos, certamente, pois ainda temos a visita do monastério de Saint-Paul de Mausole, que fica bem ao lado do sítio de Glanum, pra fazer (o centro cultural fica fechado entre dezembro e março, reabre em abril).









Informações práticas:
Aberto todos os dias entre 1 de abril a 30 de setembro (fechado nas segundas-feiras em setembro) de 10h às 18h30
Entre 1 de outubro e 31 de março aberto diariamente de 10h às 17h (fechado às segundas-feiras)
Fechado: 1 de janeiro, 1 de maio, 1 e 11 de novembro e 25 de dezembro
Tarifas: 7,50€ por pessoa, gratuito para menores de 18 anos e gratuito todo primeiro domingo do mês entre novembro e março

8 comentários:

  1. Este post veio na hora certa, Natália! Estava pensando em cortar St-Rémy do rmeu roteiro de viagem, acreditas?!? Teria sido uma pena...

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    Respostas
    1. Que bom que decidiu manter a cidade no roteiro! Ainda vou escrever sobre o monastério de Saint-Paul de Mausole!

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  2. Natalia, quanto mais eu leio seu blog e outros posts sobre a Provence, mais eu fico na dúvida do que priorizar. Que difícil, meu Deus. Por isso, vim pedir sua opinião. Terei seis dias inteiros na Provence no final de julho. Meu sonho é conhecer os campos de lavanda. Quais cidades você acha que são imperdíveis?

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  3. Oi Natalia, boa tarde. Vi que você estudou Psicologia na Aix-Marseille. Sou estudante de Psicologia e estou me candidatando ao programa Campus France pra o terceiro ano da Licence na França. Estou me candidatando para 4 universidades, e a Aix-Marseille está como minha 3ª opção. Gostei do programa da Aix-Marseille, mas tenho dúvidas se ele se adequa às minhas áreas de interesse. Gosto de psicopatologia, humanismo/fenomenologia e arte terapia. Vc acha que a Aix é a melhor opção?

    Queria uma orientação sobre a ordem de prioridade das instituições que escolhi. Vc pode me ajuda? Por enquanto, a ordem de prioridade está assim:
    1- Université Paul Valery Montpellier
    2- Université Toulouse Jean Jaures
    3- Université d'Aix-Marseille
    4- Université Nice-Sophia Antipolis

    Abraços,
    Carol

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  4. Passei 10 dias em Saint-Rémy em setembro de 2011. Jamais me esquecerei. A Provence tem um ritmo que não combina com a pressa. E só consegue viver o seu ritmo os que se deixam ficar. Ir de um lugar ao outro não permite ao viajante sentir o que é a aquela magnifíca região.

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  5. Oi Natália, encontrei teu blog por acaso e que acaso bacana esse! Conhecer o sul da França é meu sonho de vida, mas como ainda não tenho condições de realizá-lo, estou viajando aqui no blog com vc e amo ver que os lugares que eu veo no google maps e que li no Encore Provence e Toujour Provence do Peter Mayle existem de verdade <3 é lindo demais - obrigada pelas fotos e espero ver mais pra curtir minha viagem - por ora - virtual! Beijos daqui de Curitiba.

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  6. Oi Natalia vc faz passeios com turistas por aí?
    Estou chegando dia 11/07 e vou ficar uns dias em aux o que vc sugere fazer de diferente das visitas habituais?
    Amo seu blog!

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  7. Oi Natália,estarei em avignon no início de outubro e gostaria de ir na quarta-feira para saint remy para feira e conhecer com calma a cidade,porque estive lá alguns anos atrás em uma excursão e não vi nada. Gostaria de saber qusl ônibus pego para ir de avignon para saint remy.não estou encontrando na internet. Obrigada

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