Dirigir na França

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Foto: Marta Cabral

Planeja passar férias na França e vai alugar um carro pra ter maior liberdade nos trajetos? Neste post vou explicar o que é necessário saber para dirigir na França, algumas dicas sobre as principais diferenças entre as placas de trânsito, além de um esclarecimento quanto à carteira de motorista internacional. No começo eu tentava advinhar o que as placas desconhecidas significam, e quando a família veio nos visitar, um dos passatempos preferidos durante os trajetos de carro era inventar significados absurdos pras placas diferentes. Por isso, achei mais prático me informar e não correr riscos de ser multada! Para conhecer as condições do tráfego em tempo real e os alertas, fique de olho no site do governo, o Bison Futé.

Documentos para dirigir na França

– Carteira de motorista: antes de virmos pra França, fomos orientados a trazer apenas uma tradução oficial (feita por tradutor juramentado) da nossa carteira de motorista, com a qual pudemos dirigir por um ano depois da nossa data de chegada aqui. Mas assim que recebemos nosso “titre de séjour”, que é nosso documento de permanência aqui, pudemos ir à prefeitura e pedir a troca da nossa carteira de motorista brasileira pela francesa. Como no Brasil eu tinha carteira de categoria AB, minha carteira aqui manteve as mesmas categorias.

Aluguel de carros: muitas locadoras de carros oferecem a possibilidade do aluguel em uma cidade e devolução em outra. Geralmente você pode reservar o carro pelo site da empresa escolhida e retira-lo no próprio aeroporto de chegada. No próprio site do aeroporto existe uma relação das locadoras de veículos, é só escolher a de sua preferência e reservar! Recomendo o aluguel de veículo à diesel, é mais econômico na hora de encher o tanque e o consumo é muito menor, entre 20 a 25km/l na estrada, e 50L de diesel saem à cerca de 75€ (1.40€/L em junho/2018). A maioria dos carros é equipada de regulador de velocidade, o que ajuda a melhorar o consumo quando estiver na estrada, além de alguns virem com GPS integrado, com opção para português.

Postos de combustível: os postos de combustível, “station service“, funcionam no melhor estilo “sirva-se você mesmo“, ou seja, nada de frentistas! Primeiro paga-se pelo combustível no caixa que fica na própria bomba, usando o cartão de crédito. Caso ele não funcione, o pagamento deverá ser feito no interior da loja. Para isto, deve-se informar o valor a pagar antes de abastecer, e o número da bomba.  Caso não fale francês ou outro idioma, diga apenas “bonjour” e escreva num papel o valor desejado e o número da bomba.

Caso consiga fazer o pagamento direto na bomba, basta selecionar o idioma e seguir as instruções. O cartão pré-autoriza e o valor é debitado após o abastecimento, sendo limitado a cerca de 119€. Para pagamento em dinheiro, dirija-se ao caixa do posto que fica na loja de conveniência.

Pagamento de pedágios e combustível: os cartões brasileiros, mesmo que internacionais e munidos de chip que dispensa assinatura, geralmente são recusados nos terminais de autoatendimento de postos de combustível e autoestrada – já aconteceu inúmeras vezes conosco, com amigos que vieram visitar também – por isso, nos pedágios, pague em dinheiro. Para programar o valor aproximado, use o site Via Michelin. No caso de posto de combustível, é possível efetuar o pagamento no interior da loja de conveniência. Para isso, escolha uma bomba que não tenha terminal de cartões (geralmente o posto indica as bombas com pagamento em cartão com uma placa “Cartes”).

Percursos, distâncias e consumo de combustível: uso com bastante frequência o site Via Michelin, que indica itinerários diferentes, estima o consumo de combustível baseado no tipo (diesel ou gasolina) e valor,  e também no tamanho de veículo, além de informar os valores pagos com pedágio, sugerir rotas que escampem das auto-estradas, o que às vezes vale à pena, afinal o trajeto também faz parte da viagem e apreciar a paisagem de pequenas cidades no caminho nos proporciona descobertas agradáveis, mas recomendo para distâncias mais curtas e épocas do ano com baixo risco de intempéries, mesmo porque não é nada divertido ver sua viagem ir por água abaixo quando as chuvas resolvem inundar trechos da estrada!

Uma diferença entre a carteira de motorista francesa e a brasileira: contrariamente à nossa, o documento francês não tem prazo de validade, o que tem seu lado bom e ruim, à discutir em outra ocasião.  Segundo o serviço público francês, a carteira de motorista originária de países fora da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu é válida acompanhada de uma tradução oficial (juramentada) ou de uma carteira de motorista internacional. Ande SEMPRE com o passaporte e confira que a data de sua chegada na União Europeia está carimbada, caso seja parado pela polícia (Gendarmerie ou Police Nationale) você deve apresentar os dois documentos, passaporte e carteira de motorista com tradução.

É importante saber que os limites de velocidade nas autoestradas francesas são os seguintes: 130km/h na maior parte, 110km/h quando a autoestrada passar próxima à perímetro urbano ou quando estiver chovendo, e 90km/h em alguns trechos, mas o que prevalece é o indicado nas placas. Nas saídas (SORTIE, em francês), o limite cai para 90km/h e deve chegar à 50km/h, atenção! Além das câmeras de vigilância, as autoestradas tem muitos radares e nem todos são indicados! 

Nas estradas secundárias, o limite é de 80km/h à partir de julho de 2018.



Cortesia no trânsito

Preferência ao pedestre: Por aqui, como em grande parte dos países europeus, como em muitas cidades brasileiras também, quando o pedestre vai atravessar uma rua na faixa os veículos param. Portanto, vale dirigir atento. E lembre-se: fora do carro, somos todos pedestres!

Ultrapassagens feitas por motociclistas: os motociclistas tem uma forma de agradecimento quando um motorista dá passagem na estrada (geralmente nas estradas nacionais, que tem uma pista em cada sentido). Para isso, eles esticam a perna direita durante a ultrapassagem.

Preferência aos ônibus: os ônibus têm preferência em determinadas situações, principalmente quando saem das paradas, e isso consta do Código de trânsito francês.

Sinalização de trânsito

No que diz respeito ao quesito “placas de trânsito” não é necessário ser fluente em francês. As placas indicativas de cidades, lugares e vilarejos tem os nomes dos mesmos em francês, do mesmo jeito que no Brasil ninguém vê uma placa escrita “Fleuve de Janvier” ou “January River” quando vai ao Rio de Janeiro, não é?!  A verdade é que não tem nenhum mistério dirigir por aqui, mesmo com algumas placas um pouco diferentes do que estamos acostumados no Brasil, podemos deduzir o que elas indicam (pra outras, podemos inventar significados engraçados). Mas pra evitar transtornos e dirigir com tranquilidade, fiz uma relação de algumas placas francesas e suas equivalentes no Brasil.

IMPORTANTE

Na França, as placas que indicam Auto-Estrada (com pedágio) tem fundo azul, e as que indicam estradas departamentais ou nacionais (sem pedágio) tem fundo verde. Na Suíça, as placas de fundo azul indicam estradas nacionais/departamentais, e são as placas de fundo verde que indicam as auto-estradas! Além do detalhe das cores diferentes das placas, pra circular nas auto-estradas suíças, que não tem pedágio, deve-se adquirir um adesivo que é vendido na fronteira e que custa 40 francos (cerca de 34€). A ausência desse adesivo acarreta multa de 100 francos e a compra dele deve ser feita no momento da autuação.

Sinalizações frequentes em cidades (à esq.) e em autoestradas (à dir.)

 

15 Responses

  1. alves

    As suas dicas para a condução em França são muito boas e interessantes. E posso dizer que é muito fácil conduzir em França e os condutores franceses são muito cumpridores do código. Por isso, se usar o aluguer de carros não vai ter problemas e a sua viagem será tranquila com certeza.

  2. Anônimo

    Gostaria de saber onde posso encontrar no Brasil alguem que faça essa tradução oficial da carteira (tradutor juramentado)?? Grata. Fabiana

  3. Natalia Itabayana Junqueira de Mattos

    Ei Fabiana,

    os tradutores juramentados (tradutor público e intérprete comercial) de qualquer idioma são registrados nas Juntas Comerciais dos estados onde atuam, e são esses órgãos que determinam o valor cobrado pelo serviço de tradução juramentada, que é o mesmo independente do tradutor que faça. Em Minas Gerais a lista está disponível no site http://www.jucemg.mg.gov.br, basta procurar pelo site da junta comercial do seu estado e nele consta a lista com os tradutores cadastrados.

  4. Anônimo

    Até a data de hj é necessario esta carteira de motorista traduzida?
    Morei em Londres e lá não é necessario, somente a carteira nossa,Brasil, e passaporte.
    Como estou indo a Provence, gostaria de saber da necessidade.
    Att;
    Denise C.

  5. Natalia Itabayana Junqueira de Mattos

    Oi Denise,

    segundo a administração publica francesa é necessario que o documento de motorista brasileiro seja acompanhado ou por uma tradução juramentada ou por um documento de motorista internacional, você pode conferir a informação no site da administração publica (em francês) http://vosdroits.service-public.fr/F1459.xhtml

    Acredito que a carteira de motorista internacional seja melhor em termos de custo-beneficio, e ela tem a mesma validade da CNH, e é aceita em um grande numero de paises. Melhor ser prudente e evitar transtornos 🙂

    Abraços e aproveite bem seu passeio pela região provençal!

  6. Anônimo

    Obrigado…Tenho lido o seu blog e tirado muitas ideias boas.
    Já postei outras perguntas.
    Esta muito bem escrito e tem ótimos temas.
    De

  7. Anônimo

    Parabéns pelas dicas. Quando vc. diz que na Suiça não tem pedágio e se compra o selo adesivo na fronteira. Pergunto: Ao comprar o selo na fronteira França x Suiça, esse selo serve para todo território suiço? Daí em diante não se paga ou compra outro selo? No Brasil pagamos o pedágio (estradas federais/estaduais/municipais) sempre que adentramos essa unidade da federação.Então, repito, na Suiça o primeiro selo adquirido na fronteira serve para todas as estradas dos cantões÷
    Obrigado Fernando

  8. Natalia Itabayana Junqueira de Mattos

    Oi Fernando!

    O adesivo comprado na fronteira da Suiça é valido pra circular em todas as autoestradas de la durante o ano vigente, sem necessidade de adquirir novo adesivo no mesmo ano pra circular, e não tem nenhuma diferença em função dos cantões, o adesivo é valido em todo o territorio da confederação.

  9. Anônimo

    Parabéns!!!Seu blog é muito bem escrito e me ajudou em algumas duvidas,maro na Italia, nas prossímidades do Monte Bianco e por muita sorte trabalho em Genéve para chegar até lá passo pela França…e algumas dicas foi importante.

    Abraços!

  10. Marinho Ckless

    Normalmente os detrans emitem a carteira internacional. Pelo menos em Santa Catarina e no RS.A taxa é baixa e a emissão é rápida sem burocracia.

  11. Anônimo

    Estou na Europa há alguns meses e tenho alugado carros aqui. Antes de vir para cá fiz a Cart. Int. no Detran-RJ, sem burocracia. O problema ao meu ver é que os dados na CI não são traduzidos e permanecem em portugues, o que me trouxe alguns problemas na Alemanha. Por sorte sou descendente de alemão e falo bem a lingua e consegui convencê-los que o documento era legal e correto, comparando com a minha CNH original.
    Pessoalmente acho um erro não ser feita a tradução dos dados na CI. Na CI existe apenas em diferentes linguas o que significa cada classe do condutor : A, B, etc.
    Em outras ocasiões usei a "CI" que se manda fazer pela Internet por uns 30 ou 40 USD Apesar de não ser juramentada e não ser formalmente legal, a mesma é mais aceita que a CI feita pelo DETRAN. Já usei esta "CI" no Vitenan e aceitaram numa boa.

  12. Anônimo

    irei viajar para a suiça com minha família 6 pessoas e estou pensando em alugar um carro, pois iremas da suiça para a frança, luxemburgo. heidenberg e voltaremos para a suiça, è verdade que nao posso estacional em todo o lugar ou que eu tenho que pagar taxas para estacionar isto na suiça, e na frança.

  13. Natalia Itabayana

    O estacionamento é pago na maioria dos grandes centros urbanos, e o pagamento é feito pelo sistema de parquímetro. Na França, as vagas pagas são sinalizadas com a palavra "payant" e próximo a essas vagas ficam as cabines de parquímetro. Geralmente o pagamento é feito em moedas ou cartão de crédito internacional, e você seleciona por quantas horas irá deixar o veículo estacionado, depois pega o ticket emitido pelo parquímetro e coloca no painel de carro, de forma que possa ser visto pelos policiais.
    Existem vagas e estacionamentos gratuitos um pouco mais afastados dos centros das cidades, e pode ser uma alternativa econômica, vale pesquisar onde ficam em cada cidade visitada.

  14. Natalia Itabayana

    Essa diferença de sinalização entre França e Suíça causou um certo probleminha na primeira viagem que minha tia vez da Suíça pra cá, e justamente pra evitar esse inconveniente achei importante mostrar a diferença! Que bom que a informação ajudou!

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